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PERSONAGENS DO TRADICIONALISMO - Paixão Côrtes



João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes (Santana do Livramento, 12 de julho de 1927) é um folclorista, compositor, radialista e pesquisador brasileiro. É formado em Agronomia.
Ex-aluno do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, Paixão Côrtes é um personagem decisivo da cultura gaúcha e do movimento tradicionalista no Rio Grande do Sul, do qual foi um dos formuladores, juntamente com Luiz Carlos Barbosa Lessa e Glauco Saraiva. Juntos, partiram para a pesquisa de campo, viajando pelo interior, para recuperar traços da cultura do Rio Grande.

Em 1948, organizou e fundou o CTG 35 e, em 1953, fundou o pioneiro Conjunto Folclórico Tropeiros da Tradição.

Em 1956, Inezita Barroso gravou as músicas tradicionais gaúchas Chimarrita-balão, Balaio, Maçanico e Quero-Mana, Tirana do Lenço, Rilo, Xote Sete Voltas, Xote Inglês, Xote Carreirinha, Vaneira Marcada, recolhidas por Paixão Cortes e Barbosa Lessa.

Em 1958, Paixão Côrtes apresentou-se no Olympia de Paris, no palco da Universidade de Sorbonne, no Hotel de Ville, no Teatro Alhambra, além de clubes noturnos e cabarés.

Em 1962, Inezita Barroso gravou as composições Tatu e Pezinho, recolhidas por Paixão Côrtes e Barbosa Lessa. No mesmo ano, recebeu o prêmio de Melhor Realização Folclórica Nacional. Em 1964, apresentou-se na Alemanha, na Feira Mundial de Transportes e Comunicação, na cidade de Munique. Recebeu ainda, no mesmo ano, o prêmio de Melhor Cantor Masculino de Folclore do Brasil.

Em 1986, apresentou-se durante um mês na Inglaterra, divulgando traduções de seus livros para o inglês.

Em 1992, a estátua do Laçador, do escultor Antônio Caringi, para a qual Paixão Cortes posou em 1954, foi escolhida como símbolo da cidade de Porto Alegre.

Em 2001 proferiu palestra sobre a música gaúcha no VII Encontro Nacional de Pesquisadores da MPB, realizado no Teatro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Em 2003 lançou seu novo manual, com mais danças, derivadas do primeiro. Por exemplo, Valsa da mão trocada, Mazurca Marcada, Mazurca Galopeada, Sarna, Grachaim.

Discografia
s/d - Xote carreirinho / Jacaré
1961 - O folclore do pampa
1964 - Tradição e folclore do Sul
1970 - Paixão Côrtes (sobre o folclore gaúcho)
1977 - Do folk aos novos rumos
1978 - Paixão Côrtes especial
1980 - Hino ao Rio Grande
1982 - Cantando e bailando
1982 - Cantares e sapateios gaúchos
Bibliografia
1955 - Suplemento musical do Manual de danças gaúchas (com Barbosa Lessa)
1956 - Manual de danças gaúchas (com Barbosa Lessa)
1959 - Festança na querência (sobre folclore gaúcho)
1960 - Terno de Reis - Cantigas do Natal gaúcho
1960 - Folclore musical do pampa - Músicas e letras
1961 - Vestimenta do gaúcho
1966 - Gaúchos de faca na bota - Uma dança alemã no folclore gauchesco
1975 - Danças e andanças da tradição gaúcha (com Barbosa Lessa)
1985 - Aspectos da música e fonografia gaúcha
1994 - O Laçador, a história de um símbolo
1994 - colaborou na produção da coletânea A música de Porto Alegre - as origens 2001 - Músicas, Discos e Cantares - Um resgate da história fonográfica do Rio Grande do Sul

Origem: Wikiédia.

O que é o MTG

Era 28 de outubro de 1966, estava criado o Movimento Tradicionalista Gaúcho-MTG e seu estatuto. A criação do MTG foi a realização do anseio e da culminância do trabalho de muitos tradicionalistas. O MTG hoje é o órgão catalisador, disciplinador, orientador das atividades dos seus filiados, especialmente no que diz respeito ao preconizado em sua Carta de Princípios.É a união das diferentes gerações . É a entidade associativa, que congrega mais de 1400 Entidades Tradicionalistas, legalmente constituídas, conhecidas por Centro de Tradições Gaúchas ou outras denominações, que as identifiquem com a finalidade a que se propõe, que são as “entidades a fins”.
As Entidades Tradicionalistas filiadas ao MTG estão distribuídas nas 30 Regiões Tradicionalistas, as quais agrupam os municípios do RS. É um movimento cívico, cultural e associativo.Sua sede é própria e está instalada à rua Guilherme Schell, n.º 60, no Bairro Santo Antônio, em Porto Alegre, tendo sido inaugurada no mês de dezembro de 1998.
O MTG é uma sociedade civil sem fins lucrativos, dedica-se à preservação, resgate e desenvolvimento da cultura gaúcha, por entender que o tradicionalismo é um organismo social de natureza nativista, cívica, cultural, literária, artística e folclórica, conforme descreve simbolicamente o Brasão de Armas do MTG, com as sete ( 7 ) folhas do broto, que nasce do tronco do passado.
Sua administração constitui-se atualmente por Conselheiros Efetivos e por Conselheiros Suplentes, os quais compõem o Conselho Diretor, pelas trinta Coordenadorias Regionais e por Conselheiros da Junta Fiscal, sem qualquer remuneração. Todos dedicam- se graciosamente para que o MTG tenha condições de atingir seus objetivos, que estão pautados no “Congregar os Centros de Tradições Gaúchas e entidades a fins, e preservar o núcleo da formação gaúcha, cuja filosofia decorrente da sua Carta de Princípios do MTG”.
Mapa das regiões tradicionalistas


Fonte: Movimento Tradicionalismo Gaúcho
Endereço:
www.mtg.org.br

Tradicionalismo Gaúcho: Um Fenômeno Sócio-Cultural riograndense

Comunicar na atualidade é sinônimo de instantaniedade, diferente dos séculos XV, XVI, XVII, XVIII XIX que a difusão das idéias e as grandes decisões não chegavam as grandes massas.
Por isso que quando, do tratado de Tordesilhas, entre Espanha e Portugal os índios que viviam no Brasil não ficaram sabendo que haviam se tornado súditos dos Espanhóis. Por esse motivo os dias e noites seguiam, para eles, da mesma forma. À noite, reunidos em torno do fogo-de-chão os mais velhos contavam causos e historias, ouvidos atentamente pelos mais jovens, que faziam disso sua escola. Esse amor, esse apego a terra natal caracterizava os nativos do continente, pois era da mãe-terra que eles tiravam seu sustento, daí o sentimento telúrico que mais tarde também caracterizou o gentílico sul riograndense.J
á no século XVIII esse indivíduo começa a aparecer no cenário pastoril de nosso território, como uma casta de índios-vagos, registrado em 1777 pela comissão demarcadora de limites dos tratados, onde dizia que o guanches ou gauches eram homens sem um paradeiro, matador de touros chimarrões. Auguste de Saint-Hilare também descreveu esse homem rude como um consumidor de carne, toma mate e tem tendência a barbárie. Depois Nicolau Dreys deu seu parecer, dizendo que os gaúchos estão em todas partes onde existem estâncias e charqueadas em que emprestam sua força para as lides campeiras, sem chefes, sem leis. Formam-se originalmente do contato da raça branco com a indígena.
Os próprios viajantes que pelo sul passaram falavam que o “continentino” diferenciava-se dos demais, como paulista e mineiro por serem arraigados a terra.
O decênio farrapo que propiciou além da tensão entre a civilização pastoril e a urbana, de outra parte conscientizou a existência de uma pátria continentina e estreitou os laços de solidariedade entre famílias patriarcais e os galpões, na busca da estabilidade territorial.
Em 1854 temos uma das primeiras evocações telúricas do RS, pois na Corte no Rio de Janeiro, o professor Pereira Coruja fundou a SOCIEDADE SUL RIOGRANDENSE, como entidade solidária e de encontro dos riograndeses.
O século XIX foi, sem dúvida nenhuma o período de crescimento mundial, e não poderia deixar de ser, aqui no sul do Brasil surgiam grandes nomes como os fundadores do Partido Liberal Histórico, como Gaspar Silveira Martins, Felix da Cunha, Pinheiro Machado, entre outros. Isso em 1860, como um marco do revigoramento consciente da tradição riograndense. O Partido Liberal Histórico buscava os ideais de federação, mas rejeitava a forma republicana de governo.
Na mesma década de 60, em 1868 em plena guerra do Paraguai despontava o jovem de 24 anos, chamado Apolinário Porto Alegre, a abolicionista e republicano, que fundou o Partenon Literário, que agremiava intelectuais da época.
Em São Paulo nascia o Partido Republicano, que atraiu jovens como Julio de Castilhos e Assis Brasil que criaram uma agremiação chamada club 20 de setembro.
A escolarização foi algo demorado a chegar à população rural e mesmo na urbana não eram muitos que tinham essa capacidade de deter o conhecimento. Por isso os grandes líderes detinham a retórica e davam-se os grandes embates políticos, defrontando-se gigantes como Silveira Martins e Julio de Castilhos. A grande maioria do povo restava apenas segui-los nas coxilhas onde irmão matava irmão.
A sociedade começava a separar-se, de um lado a urbana para não se confundido com a sociedade pastoril, reunia-se nos clubes comerciais (elite) e Caixeral (mídia) enquanto ao peão restava apenas o aconchego do galpão e da viola, onde cantava seu amor a terra.
Final do século XIX, 1898 o major João Cezimbra Jaques, precursor do gauchismo Cívico, criou o grêmio gaúcho de Porto Alegre. Também surge em Pelotas, a União Gaúcha criada em 1899 por João Simões Lopes Neto. Este elucidava o porquê da criação de tal agremiação:
“Hábitos saudáveis na família estão sendo cada dia, abolidos. Brincadeiras infantis, esquecidos. Praticas e Usanças características, desprezadas. (...) é o lento suicídio de nossa personalidade.”
As agremiações criadas ainda, no século XIX, como grêmio gaúcho de Porto Alegre (1898), União Gaúcha (1899), Centro Gaúcho de Bagé (1899) e no inicio do século XX o Grêmio Gaúcho de Santa Maria (1901), Sociedade Gaúcha Lomba Grande (1938) e o Clube Farroupilha de Ijuí (1943) foram o despertar do patriotismo como uma alavanca na afirmação da identidade local. Era a semente que germinaria com muita força na segunda metade do século XX.Enquanto Simões Lopes Neto divulgava seus trabalhos folclóricos, no Rio de Janeiro os sul-rio-grandenses ganhavam o apelido de “gaúchos”. O Dr. Severino de Sá Brito registrava com simpatia a novidade:
De algum tempo nossos amáveis patrícios do RJ nas suas habituais gentilezas nos alcunham de gaúchos, por darem a essa palavra uma expressão de galhardia e elevação”
Mas no Rio Grande o fato causou mal estar à elite urbana, onde saiu no Almanak do RS em 1912 o artigo “gaúcho, por quê?”. As criticas eram enormes, a ponto de Cezimbra Jaques exilar-se no RJ para não ser ridicularizado.
Após a primeira grande guerra, já na década de 20 os riograndenses já vinham aceitando, sem maiores restrições, a alcunha de gaúcho, que vinha, coincidentemente como os modismos, de fora. A classificação dada era relacionada à perícia campeira, das habilidades exercidas sobre os animais nas lidas de campo da estância.
Defendendo a arte literária riograndense Darcy Azambuja na prosa e Vargas Neto na poesia começavam a afirmar as características do regionalismo gaúcho.
“O que o homem dos campos, tanto o estancieiro quanto o mais humilde trabalhador rural, oferece de impressionante, (...) é a capacidade de renovação e a adaptação à vida. Não é a indumentária o essencial a sua caracterização, ou o modo de conduzir a sua vida, pois vestido à européia, a pe ou a cavalo derrubando touros ou vindo operas (...) o que dá fisionomia histórica do gaúcho, o seu vinculo de diferenciação é a franqueza nas atitudes e nas palavras, o narcisismo, a bravura quixotesca, a vocação cívica, o bom humor mesclado a irreprimíveis explosões sentimentais e fatalistas. Tais virtudes e defeitos constituem o fundo permanente, imutável, o seu caráter. Por isso não variam com as condições materiais ou morais de vida”
João Pinto da Silva Recrutado da história riograndense, o gaúcho ressurge na literatura e nas artes, como o símbolo da afirmação da identidade local, provindo da revolução ocorrida na Semana da Arte Moderna de 1922, onde se buscava no regional a afirmação nacionalista. A expressão “gaúcho” perde sua conotação pejorativa para se tornar a representação altiva do gentílico riograndense.
Rogério Bastos, Diretor Administrativo FCG-MTG
Fonte: página do MTG www.mtg.org.br

Chama Crioula: O dia em que nasceu o Tradicionalismo

Há 60 anos, quase à meia-noite de 7 de setembro de 1947, uma façanha surpreendeu o Rio Grande do Sul.Um grupo de oito estudantes, liderados por João Carlos DÁvila Paixão Côrtes, teve a idéia de capturar uma fagulha da Pira da Pátria, em Porto Alegre, utilizando um cabo de vassoura com trapos enrolados na ponta. O improvisado gesto tornou-se épico: lançou as bases do Movimento Tradicionalista Gaúcho, que hoje se espalha pelo Brasil e já chega aos Estados Unidos, à Europa e à Ásia.Cavaleiros que atualmente percorrem o Estado transportando archotes com a Chama Crioula, enfrentando frio e chuva, são gratos ao pioneirismo de Paixão Côrtes e sua turma. Alunos do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, na Capital, eles sofreram vaias e zombarias naquele 1947. Era ridículo andar de bombachas, também não convinha tomar chimarrão nas praças.Os oito desbravadores da Chama Crioula estavam no ardor dos seus 20 anos, eram saudosos do umbigo deixado no campo e, sobretudo, tiveram a sagacidade de notar que os hábitos e a cultura do Rio Grande do Sul poderiam ser exterminados. Naquele pós-II Guerra Mundial, a hegemonia norte-americana se infiltrava por meio de músicas, filmes, estilos e o modo de vida caubói. Para completar, a herança da ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas (1937-1945) inibia a valorização regionalista em nome da unidade brasileira.Paixão Côrtes e os sete companheiros perceberam a urgência de agir, e antes que fosse tarde. Organizaram um Departamento de Tradições Gaúchas (DTG) dentro do Colégio Julinho, estimulando concursos de danças, poesia, culinária, tertúlias e palestras. Embrião dos atuais Centros de Tradições Gaúchas (CTGs), o DTG criou objetivos que até hoje vigoram. É uma espécie de Constituição Crioula.Os oito bombachudos fizeram outras proezas, abismando os cerca de 350 mil moradores daquela Porto Alegre que já ganhava contornos de metrópole com edifícios, avenidas e o ronco dos automóveis. Ao salvarem o que parecia se perder nos galpões, transformaram o ano de 1947 em mais um documento de identidade dos rio-grandenses. A Chama Crioula acendeu, há seis décadas, o fervor em ser gaúcho.
Origem: REPORTAGEM DE ZERO HORA DO DIA 02-09-2007

A centelha que ilumina o gauchismo

A Chama Crioula não foi eternizada num repente. Antes de criarem o lume que apontaria os novos rumos para as tradições gaúchas, Paixão Côrtes e os sete amigos do Colégio Júlio de Castilhos sacudiram Porto Alegre.As surpresas começaram no final de agosto, quando montaram um simbólico galpão dentro do Julinho, com fogo de chão, roda de mate e declamação de poesias, fundando o Departamento de Tradições Gaúchas (DTG). Foi o marco para os CTGs.Em 5 de setembro, os oito jovens emocionaram a Capital ao escoltar os restos mortais do general farroupilha David Canabarro. Pilchados, com cavalos cedidos pelo Regimento Osório, acompanharam o esquife de Canabarro, transportado de Santana do Livramento para ser enterrado no Panteão Rio-grandense, em Porto Alegre. As exéquias faziam parte da Semana da Pátria. Acostumados a gracejos e deboches, comoveram-se com a receptividade:- As pessoas abanavam lenços, algumas choravam de emoção. O Rio Grande se reagauchava - lembra Paixão Côrtes.Um acidente quase comprometeu a escolta. Na Rua da Conceição, o cavalo de Cilço Araújo Campos, um dos porta-bandeiras do piquete, escorregou e se pranchou (caiu de lado). Fernando Vieira, que vinha atrás, esporeou a sua montaria e alcançou a bandeira do Brasil no ar, evitando que caísse. A sua perícia foi aplaudida pelo povo.O cortejo de honra rendeu valiosas adesões. Maravilhado com aqueles gaudérios que evocavam Piratini, onde nasceu, Luiz Carlos Barbosa Lessa se integrou ao grupo. O futuro escritor, folclorista, músico e historiador era outro desgarrado que se afligia com as trevas que engolfavam a cultura gaúcha. O governo não cumpriu a promessa de construir o panteão (Canabarro jaz numa parede do cemitério da Santa Casa), mas os oito colegas seguiram a cavalgada, reforçados por novos idealistas. Em 7 de setembro, quando Paixão Côrtes apanhou uma centelha do fogo da Pira da Pátria, já havia voluntários suficientes para a "Ronda" que se estendeu até o dia 20, a data da Revolução Farroupilha. Ivo Sanguinetti, Rubem Xavier, Barbosa Lessa e outros indormidos ajudaram a manter aceso o candeeiro crioulo.

Fonte: REPORTAGEM DE ZERO HORA DO DIA 02-09-2007

Conceitos Básicos: O Gaúcho

A origem do termo GAUCHO não é pacifica, mas há indicativos muito fortes que apontam historicamente o significado da palavra.Remotamente, na época conhecida como a “idade do couro”, o habitante do pampa era chamado de “guasca”. O termo muitas vezes citado como se fora pejorativo, recebe de Machado de Assis (in Quincas Borba) significado de elogio. Ao referir-se a uma filha do Rio Grande, diz: “E uma guasca de primeira ordem”. Guasca correspondia a uma interjeição elogiosa que era pronunciada como um titulo de hombridade e destemor. Fala-se em guasca largado como quem dissesse quebra largado, torena, monarca das cochilhas. Como quem diz – Gaúcho.Pouco mais tarde, no século XVIII surge o termo “gaudério”, tanto no território brasileiro quanto no castelhano. O gaudério, tido como homem sem lei nem rei, que “morava na sua camisa, debaixo do seu chapéu”, mantinha-se num equilíbrio instável entre o índio e o branco. A sua atividade marginal estendeu-se por mais de um século de história do pampa, formando com os “coureadores” e “changadores” uma espécie de associação de rapinagem mais ou menos organizada que chegou a constituir grave problema para os guardas volantes da campanha.O termo “gaúcho”, surgiu, provavelmente, no último quartel do século XVIII e aparece como sinônimo de “gaudério”. Emílio Coni cita um parecer propondo a criação de uma partida volante para que “persiguiese y arrestase a los muchos malévolos, ladrones, desertores y peones de todas castas, que llaman Gauchos o Gauderios ...”.O sentido pejorativo da palavra gaúcho, numa e noutra banda, mantém-se quase inalterado, até meados do século XIX. Azara, Saint-Hilaire, Arsène Isabele, Alcide D’Orbigny, todos são concordes em apresentá-los como homens sem lei e nem rei, campistas perturbadores da paz, vagabundos que alarmavam os governantes e ocupavam a polícia.Um fator importante que forma a estrutura do ambiente em que vivia o “gaúcho”, da metade do século XVIII até a metade do século XIX, estava a prática de distribuição de sesmarias. Augusto Meyer, ao se referir ao assunto afirma: “A sesmaria, área que podia variar entre dez mil e treze mil hectares, beneficiando uma insignificante minoria de privilegiados, na prática, revelou-se um prêmio às formas improdutivas do trabalho, com a máxima vantagem individual, em detrimento das garantias médias do trabalho assalariado” (1957).Se há um caso na história em que a explicação por meio de fatores econômicos e sociais, tem perfeito cabimento, este é o caso do gaúcho primitivo, durante o período colonial. É resultado daquele complexo cultural representado pelo cavalo, gado alçado e valorização do couro, movendo-se num meio de pampas abertas, onde as raias avançavam e recuavam de acordo com os entendimentos entre os reis portugueses e espanhóis.Os gaúchos passaram a ser chamados a integrar as tropas dos comandantes militares locais que, de estancieiros, travestiam-se em coronéis, comandando a resistência contra as tentativas de invasão, ora dos espanhóis, ora dos portugueses. Aos poucos, o vocábulo “gaúcho” adquiriu outro sentido, completamente oposto ao do original. Aqueles homens rudes, valentes, independentes, amantes da liberdade, exímios cavaleiros, eram também bons soldados, empenhados peões, até bons agregados, bastava que lhes dispensasse respeito e um pouco de compreensão.Hermann Burmeister, em sua obra Reise durch die la Plata-Staaten (1861), assim descreve o gaúcho: “Erro grave é considerar os Gaúchos como gente grosseira ou brutal, ou, sem mais rodeios, como simples salteadores e bandidos; longe disso, o que os caracteriza é principalmente uma viva suscetibilidade e um inegável sentimento cavalheiresco, que logo os leva a ter em conta de superior toda pessoa mais ilustrada, ou de mais alta categoria social, que os tratar com deferência. Pelo contrário, a altivez e grosseria provocam de sua parte uma repulsa imediata”.Desde a época da Revolução Farroupilha (1835-45) e, especialmente depois da Guerra do Paraguay (1860-65) a palavra gaúcho passou a significar o homem do campo, ligado a atividade pastoril, de maneira específica e a identificar os nascidos no Rio Grande do Sul, de forma genérica. A mudança ocorrida não foi fruto de lei ou de imposição, mas resultado da evolução natural da sociedade e da compreensão de que o homem é parte integrante do ambiente em que vive e sua condição muito se deve aos fatores a que está submetido.Poderíamos resumir a trajetória do vocábulo “gaúcho”, dizendo que na época dos capitães-generais e primeiros proprietários era ladrão, vagabundo e coureador; para os capitães de milícias e comandantes de tropas empenhadas na defesa das fronteiras, era bombeiro, chasque, isca para o inimigo; nas guerras da independência do Prata, era lanceiro, miliciano; depois, para os homens da cidade, era o trabalhador rural, homem afeito aos serviços do pastoreio, peão de estância, campeiro destro, sinônimo de guasca ou monarca; finalmente, desde os primórdios do século passado, um nome gentílico, a exemplo de carioca, barriga-verde, capixaba, fluminense.Cantado em prosa e verso, o gaúcho traz no nome o resumo de uma história, traz na alma a liberdade e no coração o sentimento nativista mais notório entre os brasileiros:Quem é gaúcho de leiE bom guasca de tudo,Ama, acima de tudo,O bom sol da liberdadeNos campos de minha terra,Sou gaúcho sem patrão;De a cavalo, bem armado,Minha lei é o coração.O gaúcho é definido pela literatura gaúcho, como um indivíduo machista, altivo, irreverente, guerreiro, legítimo, é o “centauro dos pampas”.
Retirado do texto ‘Conceitos importantes para a compreensão da identidade do gaúcho’Autor: Manoelito Carlos Savaris, Historiador.Presidente da Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.
Origem: Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore
Endereço:
www.igtf.rs.gov.br

Conceitos Básicos: Tradicionalista

TRADICIONALISTA O tradicionalista é um nativista que acredita na forca da tradição e, por isso, se perfila como se fora um soldado, na defesa e difusão de valores, princípios e crenças que constituem a própria historia do gaúcho.O tradicionalista é o militante do tradicionalismo na defesa da tradição gaúcha, que apresenta, entre outras, os seguintes valores básicos: o espírito associativo, o nativismo, o respeito a palavra dada, a defesa da honra, a coragem, o cavalheirismo, a conduta ética,o amor a liberdade, o sentimento de igualdade, a politização e o senso de modernidade. (valores citados por Jarbas Lima, in “O sentido e o alcance social do tradicionalismo”).Tradicionalista é aquele que pugna pela conservação das idéias e valores morais transmitidos de geração em geração, ao longo da nossa bela história rio-grandense. Tradicionalista é, pois uma pessoa que preza as tradições, sem ser retrógrado nem saudosista.

Retirado do texto ‘Conceitos importantes para a compreensão da identidade do gaúcho’Autor: Manoelito Carlos Savaris, Historiador.Presidente da Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.
Origem: Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore
Endereço: www.igtf.rs.gov.br

Conceitos Básicos: Tradicionalismo

“Tradição – um culto – e Nativismo – um sentimento – existem no mundo todo. Agora, Tradicionalismo só existe no Rio Grande do Sul. Quando existe fora daqui, é o gaúcho, que estende muito longe seus braços, para estreitar junto ao coração, em todas as querências, os gaúchos, as gaúchas e seus descendentes.Tradição e Nativismo podem andar com uma única pessoa. Existem no singular. Tradicionalismo, não: é obrigatoriamente associativo, coletivo. Tradicionalismo é um movimento cívico-cultural. É a tradição em marcha, resgatando valores que são validos não por serem antigos, mas por serem eternos, exatamente os valores que trouxeram o Rio Grande e o gaúcho do passado para o presente, projetando-o no futuro”. Antonio Augusto Fagundes“... é a tradição em marcha, passando de geração a geração. É a arte de colocar em movimento as pecas de uma tradição. São os meios pelos quais pelos quais a tradição passa de pai para filho. É um movimento gaúcho que busca conservar as boas coisas do passado através do culto e da vivencia.” Odalgil Nogueira da Camargo“Tradicionalismo é o movimento popular que visa auxiliar o Estado na consecução do bem-coletivo, através de ações que o povo pratica (mesmo que não se aperceba de tal finalidade) com o fim de reforçar o núcleo de sua cultura; graças ao que a sociedade adquire maior solidez e o individuo adquire maior tranqüilidade na vida em comum” Luiz Carlos Barbosa Lessa Glaucus Saraiva assim define: "Tradicionalismo é um sistema organizado e planificado de culto, prática e divulgação desse todo que chamamos Tradição. Obedece a uma hierarquia própria, possui um alto programa contido em sua Carta de Princípios, que deve, na medida do possível, realizar e cumprir”.“Tradição, comparativamente, é o campo das culturas gauchescas. Tradicionalismo é a técnica de criação, semeadura, desenvolvimento e proteção das suas riquezas naturais, através de núcleos que se intitulam "Centros de Tradições Gaúchos."Segundo Edilberto Teixeira, "o termo se diversificou e se define como um Movimento alicerçado em nossos CTGs(Centros de Tradições Gaúchas), tornando-se assim uma fonte de cultura”

Retirado do texto ‘Conceitos importantes para a compreensão da identidade do gaúcho’Autor: Manoelito Carlos Savaris, Historiador.Presidente da Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.
Origem: Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore
Endereço:
www.igtf.rs.gov.br

Conceitos Básicos: Nativismo

“Os valores do culto a Tradição mais característica do Rio Grande do Sul são o nativismo, a coragem, a hospitalidade, a honra, o respeito a palavra empenhada, o cavalheirismo, alem de outros.Assim vê-se desde logo que o Nativismo não é um culto, como a Tradição, mas um dos valores desse culto. Nativismo é o amor que a pessoas tem pelo chão onde nasceu, onde é nato.” Antonio Augusto Fagundes“é tudo aquilo que é próprio do local de nascimento, natural, não adquirido e que conserve as características originais. É o sentimento de defesa e amor ao pago nativo...” Odalgil Nogueira da Camargo“é tudo aquilo que é próprio do lugar nato, (de naturalidade), portanto não é adquirido, mas conserva as características naturais (originais)” José EstivaletEdilberto Teixeira diz que "nativismo é a qualidade do nativista. É aquele que é contrário, que é infenso a estrangeiros. Tudo o que é próprio do lugar de nascimento, que é ingênito, natural, não adquirido. Em filosofia, nativismo é a teoria das idéias inatas, independentes da experiência".Antonio Augusto Fagundes afirma que é comum chamar-se de nativismo a arte que nasce da terra, que fala, que canta, que enfoca e que valoriza as coisas da terra dizendo-se: poesia nativista, canção nativista, música nativista, muito embora saibamos que a expressão correta para designar a corrente artística que valoriza os temas da terra seja "regionalista gaúcha".
Retirado do texto ‘Conceitos importantes para a compreensão da identidade do gaúcho’Autor: Manoelito Carlos Savaris, Historiador.Presidente da Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.
Origem: Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore
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Conceitos Básicos: Tradição

Tradição “É o ato de transmitir os fatos culturais de um povo através de suas gerações. É a transmissão das lendas, narrativas, valores espirituais, acontecimentos históricos através dos tempos, de pais para filhos. É um conjunto de idéias, usos e costumes, recordações e símbolos conservados pelos tempos pelas gerações. É um culto aos costumes das boas coisas do passado. O povo gaúcho tem, no chimarrão, no fandango, na pilcha, nos temas musicais, na poesia, na doma, a mais bela das tradições.” Odalgil Nogueira da Camargo“Essa palavra vem do latim, do verbo tradere (traditio, traditionis), que quer dizer trazer até, entregar. Em direito, tradição significa entrega. Em um sentido amplo, que é o que interessa para o presente estudo, tradição quer dizer o culto dos valores que os antepassados nos legaram, nos entregaram.” Antonio Augusto FagundesGlaucus Saraiva, na obra Manual do Tradicionalista, diz: "Tradição é o todo que reúne em seu bojo a história política, cultural, social e demais ciências e artes nativas, que nos caracterizam e definem como região e povo. Não é o passado, fixação e psicose dos saudosistas. É o presente como fruto sazonado de sementes escolhidas. É o futuro, como árvore frondosa que seguirá dando frutos e sombra amiga às gerações do porvir. "Glaucus Saraiva, na mesma obra, cita ainda Hélio Rocha que diz:"Tradição não é simplesmente o passado.O passado é o marco. A Tradição é a continuidade.O passado é o acontecimento que fica. A Tradição é o fermento que prossegue.O passado é a paisagem que passa. A Tradição é a corrente que continua.O passado é a mera estratificação dos fatos históricos já realizados. A Tradição é a dinamização das condições propulsoras de novos fatos.O passado é estéril, intransmissível. A Tradição é essencialmente fecundadora e energética.O passado é a flor e o fruto que findaram. A tradição é a semente que perpetua.O passado é o começo, as raízes. A Tradição é a seiva circulante, o prosseguimento.O passado explica o ponto de partida de uma comunidade histórica. A tradição condiciona o seu ponto de chagada.O passado é a fotografia dos acontecimentos. A tradição é a cinematografia dos mesmos.Enfim: Tradição é tudo aquilo que do passado não morreu”.No entanto, aquela etapa é essencial para a compreensão do que vem ocorrendo com a cultura desde os anos 90 do século passado. Ou seja: ciclicamente, de trinta em trinta anos, ao ensejo de alguma rebordosa mundial ou nacional, e havendo clima de abertura para as indagações do espírito, termina surgindo algum "ismo" relacionado com a Tradição.Assim foi com o gauchismo dos anos 90. Com o regionalismo dos anos 20. Com o tradicionalismo dos anos 50. Com o nativismo de agora. E sou capaz de jurar que lá pelo ano 2010 surgirá uma espécie de telurismo antinuclear ou cibernético, resultante da inquietação de analistas de sistemas em conluio com artistas plásticos, incluindo cartunistas e comunicadores visuais.É claro que, de acordo com cada época, modifica-se a dinâmica e o campo de ação. Mas, no fundo, é tudo a mesma coisa: expressão de amor à gleba e respeito ao homem rural".
Retirado do texto ‘Conceitos importantes para a compreensão da identidade do gaúcho’Autor: Manoelito Carlos Savaris, Historiador.Presidente da Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.Origem: Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore
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Conceitos Básicos: Gauchismo

GAUCHISMO Falando em gauchismo, em "Caráter Cíclico do Tradicionalismo", Barbosa Lessa escreveu:"A primeira etapa foi relativamente tímida. Brotou quando da passagem do Império para o sistema republicano. Foi contemporânea dos sangrentos episódios de 1893. Começou por esparsas contribuições, aqui e ali, de cidadãos interessados em recompor e estado e afirmar a viabilidade do republicanismo. Animava-os, indiscutivelmente, o espírito de solidariedade e a sinceridade cívica”. O gauchismo foi uma espécie de Liga de Defesa Nacional em âmbito sul-rio-grandense e pretendia, fundamentalmente, a comemoração das datas cívicas. Chegou a se corporificar em meia dúzia de agremiações, que, ou tiveram vidas efêmeras ou, ao cabo, descambaram para a vala comum dos clubes recreativos”.Edilberto Carvalho diz: "Gauchismo é a qualidade do gaúcho, é a expressão típica do seu linguajar. O que lhe é próprio, seus ditos, comparações e suas "largadas”.

Retirado do texto ‘Conceitos importantes para a compreensão da identidade do gaúcho’Autor: Manoelito Carlos Savaris, Historiador.Presidente da Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.
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Conceitos Básicos: Regionalismo

Regionalismo é uma corrente artística que se inspira nos temas da terra. Assim a natureza e o homem da região com seus valores e cultura típicos constituem-se em inspiração para que o artista realize o seu trabalho. (Paulo Cortes)Edilberto Teixeira, em sua publicação diz: "Regionalismo é tudo aquilo que se diz respeito a uma região, termo, locução ou costumes próprios daqueles que vivem nessa região. E regionalista é aquele que defende os interesses regionais".Salvador Ferrando Lamberty, em sua obra ABC do Tradicionalismo, ao definir Regionalismo Gaúcho diz: "é a corrente artística voltada aos temas da terra e se inspira nos elos regionais. É o sentimento expresso na guarda de um patrimônio local; é a expressão do valor cultural e artístico de uma região".

Retirado do texto ‘Conceitos importantes para a compreensão da identidade do gaúcho’Autor: Manoelito Carlos Savaris, Historiador.Presidente da Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.
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Conceitos Básicos: Folclore

Foi Willian John Thoms, um arqueólogo inglês, o criador do termo, da palavra Folk –lore, aportuguesada para folclore, que significa folk = povo e lore = saber, conhecimento. Em 22 de agosto de 1846, a revista The Atheneun, de Londres, publicou a carta de Willian, na qual era proposta a criação da palavra, para designar "os estudos dos usos, costumes, cerimônias, crenças, romances, refrões, superstições, etc”. Portanto o dia 22 de agosto foi institucionalizado como dia do folclore, no mundo.Folclore é a ciência que estuda a cultura espontânea do grupo social, que estuda todas as manifestações espontâneas do povo que tem escrita (povo gráfico), tanto do ponto de vista material, quanto espiritual.Como o próprio nome sintetiza, é a ciência do povo, são as tradições, os costumes, as crenças populares, o conjunto de canções, as manifestações artísticas, enfim, tudo o que nasceu do povo e foi transmitido através das gerações.O fato folclórico define–se como parcela do conhecimento humano que se transmite no tempo e no espaço, de geração a geração, de camada cultural a camada cultural, sem ensino formal (em escolas ou livros). Por isso, podemos afirmar, que o Folclore é "a ciência que estuda o homem nas suas manifestações de cultura espontânea, quer sejam materiais, quer sejam espirituais".No Brasil, considera-se Folclore o "estudo da cultura espontânea do povo civilizado dos campos e das cidades."

Retirado do texto ‘Conceitos importantes para a compreensão da identidade do gaúcho’Autor: Manoelito Carlos Savaris, Historiador.Presidente da Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.
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Conceitos Básicos: Cultura

Cultura é um sistema de atitudes e modos de agir, costumes e instituições, valores espirituais e materiais de uma sociedade.Barbosa Lessa ensina que a cultura de qualquer sociedade se compõe de duas partes: o núcleo e as alternativas. O núcleo é constituído pelo Patrimônio Tradicional, onde se concentram os hábitos, princípios morais, valores, associações e reações emocionais partilhadas por todos os membros de determinada sociedade, ou por todos os integrantes de determinada categoria de indivíduos. Este cerne cultural da aos indivíduos a unidade psicológica essencial ao funcionamento da sociedade. Cercando o núcleo, existe uma zona instável, denominada Alternativas, constituída por elementos culturais, que atingem somente alguns membros de uma sociedade. Essa zona de Alternativas tem a capacidade de fazer a cultura crescer e aperfeiçoar-se, porem se o núcleo, o Patrimônio Tradicional, for fraco, haverá uma invasão das alternativas que destruirão o núcleo, causando confusão social, pois que haverá, fatalmente, a perda das referencias e dos indicativos de identidade daquela sociedade.

Retirado do texto ‘Conceitos importantes para a compreensão da identidade do gaúcho’Autor: Manoelito Carlos Savaris, Historiador.Presidente da Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.
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Conceitos Básicos: MTG

O Movimento Tradicionalista Gaúcho possui dois significados: É a associação ou a federação dos CTGs e entidades afins, criado no dia 28 de outubro de 1966, durante o 12° Congresso Tradicionalista Gaúcho realizado na cidade de Tramandai. A exemplo do MTG do Rio Grande do Sul, foram criados MTGs em outros estados brasileiros, com a mesma finalidade. É o tradicionalismo gaúcho organizado.Outro significado de MTG é aquele que designa a atividade de pessoas, chamadas tradicionalistas, que se dedicam à preservação, resgate, valorização e divulgação da cultura típica gaúcha e do folclore gaúcho. É a tradição em ação. É a atividade diária e permanente, desenvolvida nos CTGs.O MTG possui organização semelhante às demais federações, com uma direção central (com abrangência estadual) e setores descentralizados, denominados “Região Tradicionalista” - RT, com abrangência regional. O MTG do Rio Grande do Sul possui 30 RTs.O MTG é dirigido por um Conselho Diretor (eleito pela Assembléia Geral Eletiva que é integrada pelos representantes das entidades tradicionalistas filiadas, que se reúnem no Congresso Tradicionalista Gaúcho, a cada ano). Os integrantes titulares tem mandato de dois anos e os suplentes de um ano. O presidente do Conselho Diretor é também chamado de Presidente do MTG. Alem do presidente, também são escolhidos quatro vice-presidentes (de administração, de cultura, de finanças e de eventos) dentre os Conselheiros Titulares. Juntamente com estes tradicionalistas eleitos são escolhidos diretores e assessores, formando a Diretoria Executiva. As RTs são dirigidas por coordenadores, eleitos pelas entidades filiadas sediadas na região, e outros diretores e assessores escolhidos pelos coordenadores.Compõe a estrutura do MTG, a Junta Fiscal (eleita juntamente com o Conselho Diretor, a cada ano) e o Conselho de Ética, composto por representantes do Conselho Diretor, dos coordenadores regionais, pelo Assessor jurídico e pelo Vice-presidente de Administração.

Retirado do texto ‘Conceitos importantes para a compreensão da identidade do gaúcho’Autor: Manoelito Carlos Savaris, Historiador.Presidente da Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.
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Conceitos Básicos: CTG

O Centro de Tradições Gaúchas e uma associação de pessoas com objetivos culturais, sociais, lúdicas. Diferencia-se de outras associações e clubes por se dedicar ao resgate, valorização e divulgação do folclore e da cultura típica gaúcha, construída ao longo da historia do Estado do Rio Grande do Sul.O primeiro CTG foi fundado em Porto Alegre, no dia 24 de abril de 1948, com o nome de “35 Centro de Tradições Gaúchas”. Este CTG serve, até hoje, de modelo. Atualmente existem mais de 2000 CTGs, espalhados pelo mundo. Há outros nomes designativos de associações que foram criadas com os mesmos objetivos dos CTGs, tais como: Grupo de Arte Nativa, Centro de Pesquisas Folclóricas, Piquete de Laçadores, Departamento de Tradições Gaúchas (quando criado como departamento de clube ou associação), etc.Outro diferencial dos CTGs, é a nomenclatura das funções e dos setores da associação: o presidente é chamado “patrão”, o vice-presidente denomina-se “capataz”, o secretario é chamado “sota-capataz”, os departamentos são “invernadas”, etc.Uma das características importantes dos CTGs é a sua vocação familiar, onde a convivência de gerações se constitui na garantia da transmissão da herança social, chamada de tradição. Sob o aspecto sociológico os CTGs se constituem na recomposição dos “grupos locais” que se encarregam de manter intacto o “núcleo cultural” que da identidade a uma sociedade.

Retirado do texto ‘Conceitos importantes para a compreensão da identidade do gaúcho’Autor: Manoelito Carlos Savaris, Historiador.Presidente da Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.
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