O Gauchismo vem se formando desde o século XIX com o Partenon Literário, Grêmio Gaúcho e diversos autores que resgataram e idealizaram a figura do gaúcho.O Movimento Tradicionalista Gaúcho foi fundado somente em meados do século XX com a liderança de Paixão Cortês e os cavaleiros julianos. Contudo o Primeiro a tentar constuir uma base científica ao movimento tradicionalista (antes dele as elaborações eram somente literárias) foi Barbosa Lessa no artigo intitulado "O Sentido e o Valor do Tradicionalismo". Por isso ele se torna para nós, referência na discussão do tema gauchista tal como propomos, a saber, a elaboração de uma base cientifica ao movimento.
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Resistência Cultural!
O fenômeno da Globalização, sem dúvida alguma, surgiu como uma forma de ampliação dos interesses do capital, onde capitalizar os lucros e socializar os prejuízos é o principal objetivo de seus protagonistas. Nessa esteira, os países periféricos continuam na submissão colonialista ao chamado primeiro mundo, principalmente na esfera econômica e cultural. Para justificar suas pretensões, este constrói teses como a do pensamento único - o seu, naturalmente, - e falácias como a do Fim da História, com o intuito de que esqueçamos o nosso passado, as nossas raízes, em prol das benesses da globalização neoliberal. E a mão invisível dos Estados do lado de cá deve sempre atender às conveniências do mercado de lá, em detrimento dos interesses legítimos de seus cidadãos de segunda classe: o povo. E até a Lei Maior dos pobres países deve se submeter à essa Nova Ordem Mundial. A cultura dos colonizados deve desaparecer e abrir oportunidades para a exploração econômica da pretensa cultura hegemônica mundial, imposta a um mundo subserviente a esses e a outros interesses dos eternos colonizadores. O nivelamento cultural apregoado pelo mercado sem fronteiras tenta soterrar centenárias tradições regionais, locais, em nome de um suposto e duvidoso comércio comum. Diante de tais interesses, aos cidadãos restam duas opções: aceitar passivamente as perniciosas imposições ou resistir, defendendo as identidades culturais de suas aldeias. Ao Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro, no entanto, diante das suas cláusulas pétreas de índole moral-cultural, contidas na sua Carta de Princípios, não lhe é conferida escolha alguma. Deverá continuar observando, fiscalizando e promovendo a Filosofia Tradicionalista entre as suas entidades filiadas, sem rendição a tais interesses econômicos, globalizados ou não. Aos cidadãos tradicionalistas, a estes é garantido o exercício legítimo do direito de resistência cultural, em nome dos mais altos interesses de todo o Bravo Povo Gaúcho Brasileiro!
Origem: sitio Bombacha Larga
Endereço: www.bombachalarga.com.br
Gauchismo como alternativa ideológica
Os Estados Unidos da América vem se desenvolvendo crescentemente desde a sua fundação, mas sua hegemonia sobre o planeta terra se deu, de forma indiscutível, a partir do final da segunda guerra mundial. Nesse período aconteceu um grande golpe nas expressões culturais regionais, foi imposto ao mundo uma política homogeneizadora que aniquilou as diferenças regionais. O americanismo passou a controlar os padrões culturais e a impor regras em todo mundo, e quem não se ‘americanizava’ era tachado de atrasado.
A algum tempo vem se discutindo sobre o vigor que ainda tem, ou que ainda terá o poderio norte americano sobre o mundo. Essa é uma análise muito complexa e difícil de estabelecer com precisão. Mas podemos abordar algumas questões atuais que demonstram a dificuldade da hegemonia Norte-Americana se estender por muito tempo.Primeiro vamos definir alguns conceitos. Temos que diferenciar o que é ser forte e o que é ser hegemônico. Um país pode ser forte, mas não ser hegemônico, como é o caso de muitos países da Europa. Ser hegemônico em um mundo em que apenas quatro ou cinco nações são de fato industrializadas, e os outros países são arcaicos, semi-medievais, é mais fácil do que manter a hegemonia quando ocorre uma divisão das fábricas e das riquezas, No momento em que começa a surgir nações emergentes com capacidade industrial considerável então a riqueza, em parte se divide, e isso não é bom para manutenção de um sistema hegemônico, esta hegemonia começa a perder amplitude. A riqueza absoluta pode aumentar muito de uma época para outra, mas isso não importa para a hegemonia, para mantê-la importa a riqueza relativa as outras nações, que deve se manter em uma larga diferença. Para haver hegemonia é necessário que quase toda a riqueza esteja sobre controle de um apenas.
Um outro argumento considerável que corrobora com a nossa tese possui caráter histórico, ou seja, a história é dinâmica, as coisas tendem a não permanecer sempre como são. A conjuntura histórica leva um país a se tornar potencia, mas também o leva a decadência. Se no inicio de sua formação os Estados Unidos tiveram uma série de fatores favoráveis a acumulação de riqueza, hoje a conjuntura histórica coloca fatores que desfavorecem a continuidade da hegemonia. Como exemplo citamos a questão ambiental. A natureza não coopera mais como antes, os recursos já não são tão abundantes, a exploração não pode ser desvairada como outrora. Se antes existiam inúmeros países arcaicos com recursos naturais aparentemente infinitos, hoje muitos desses países também se industrializaram, ou os recursos acabaram. Fatores que encarecem e dificultam a conquista dessas matérias-primas, limitando aquela ‘farra’ antiga de comprar toneladas e mais toneladas de produtos primários a preço de banana e depois vender os produtos industrializados, que só eles tinham, a lucros exorbitantes para o mundo todo. Prova de que hoje se paga um preço alto por algumas matérias-primas essenciais são as campanhas militares bilionárias no oriente médio para conquista do petróleo. Tudo isso ainda piora por causa do aquecimento global que não permite mais a poluição desvairada, sem controle ou cuidado com o meio ambiente. E isso causa uma série de gastos com cuidados ambientais que não se tinha antes, gastos que são proporcionalmente bem menores em sociedades menos industrializadas.
Portanto vimos que muitos fatores apontam para uma dificuldade cada vez maior de manutenção da hegemonia mundial, muitos dos recursos destinados para questões que outrora não eram problemas, poderiam estar sendo utilizado na imposição de valores como foi na ‘guerra fria’, poderia se estar tentando impedir o surgimento de outras potências como a China, por exemplo. Pelo visto essas coisas não estão mais ao alcance do poderio Norte Americano, longe de sensacionalismos, a hegemonia de uma nação não cai do dia para noite, é uma longa construção histórica (neste exato momento as mudanças estão ocorrendo), prova disso é o crescimento do MTG, símbolo da expressão regional no mundo todo.
Na medida em que a hegemonia mundial vai perdendo força, o seu monopólio de idéias e valores também vai diminuindo, e com isso o terreno se torna propício ao surgimento de alternativas às idéias e valores vigentes. E na falta (temporária) de uma grande potência hegemônica, as alternativas regionais ganham fôlego. E no caso do Rio Grande o gauchismo é a alternativa mais viável que se coloca para assumir o papel hoje ocupado por instancias Norte-Americanas. Na falta de uma concorrência forte o gauchismo tende a ganhar um espaço ainda maior do que já ocupa, e por fim conseguir criar no povo a noção de pátria, de civismo, de cidadania que, hoje em dia, está tão fragilizado, carente e ansioso por renovação.
Autor: Celso Garcia, graduando de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). 13-10-07
Cultura Gaúcha e Semana Farroupilha
Autor: Evaldo Muñoz Braz (2006)
Logo começarão as comemorações da Semana Farroupilha, que verdadeiramente tem um caráter simplesmente popular/cultural e imediatamente, alguns de nossos intelectuais riograndenses (normalmente são os mesmos) começarão a por em xeque nossa cultura com abordagens aparentemente politizadas mas que encobrem pensamentos de raiz barroco-colonialistas. Suas abordagens críticas sobre a cultura gaúcha trazem na raiz, a internalização da perspectiva conceitual e interpretativa da elite. Sim, elite, pelo menos tem-se como tal: elite cultural.
Normalmente a cultura gaúcha é criticada, atacada em seu todo. Literatura, poesia, história, relações econômicas, ilações de tradição cultural, comemorações e festividades, produções musicais, etc. Deste fato, pode-se se depreender que o que se visa é atacar o todo, ou seja, a cultura “gaúcha”, seja ela correta ou não. Caso contrário, a crítica atingiria partes desta estrutura, se direcionaria a identificar e corrigir equívocos. O que se vê entretanto, são agressões apaixonadas e veementes, revestidas de informações intelectuais, mas vazias conceitualmente.
(I)
Um exemplo clássico é verem o gaúcho (neste nosso caso, uma representação do homem rural pampeano de antigamente) como um símbolo da oligarquia rural. Ora, o símbolo ícone do gaúcho é o poema Martin Fierro, de José Hernandez. Fierro é pobre, um inadaptado ao novo sistema vigente (implantação das estâncias, apropriação por estas do gado chimarrão e posteriormente, o alambrado) . Para muitos um rebelde. De qualquer maneira, um sem posses.
Mais recentemente, Jayme Caetano Braun (sempre mal analisado) é pleno de payadas críticas e sociais, como a intitulada “Prece”. E “Tropa Amarga” de Luis Menezes, é uma antiga e potente crítica social. Quer dizer, são letras e músicas nada alienadas.
Mais recentemente, Jayme Caetano Braun (sempre mal analisado) é pleno de payadas críticas e sociais, como a intitulada “Prece”. E “Tropa Amarga” de Luis Menezes, é uma antiga e potente crítica social. Quer dizer, são letras e músicas nada alienadas.
Continuando. Em uma avaliação amostral nossa das músicas/letras nativistas/tradionalistas/gauchescas, identificamos 27% de músicas com intenção de crítica econômico/social. É um número significativo. Estas críticas vão desde o questionamento a distribuição de terras, desemprego, críticas aos desmandos de governos estaduais e federais, etc. O restante se distribui entre musicas e letras românticas, revoluções passadas, outras narrativas históricas, descrições geográficas, atividades “profissionais” (ligadas a lida campeira) e cunho humorístico e incluindo-se nestas últimas e em menor número, as relativas a “peleas” normalmente em bailes.
Seria crucial e bem dentro da metodologia científica que estes intelectuais, antes de elaborarem suas críticas (muitas baseadas preguiçosamente e infinitamente em trabalhos antigos: sempre atribuindo tudo ao Partenon Literário), abordassem verdadeiramente nosso patrimônio cultural.
(II)
(II)
Um segundo ponto importante trata da crítica ao machismo implícito as comemorações e demais divulgações da cultura gaúcha. Parece que aí há uma confusão com o valor modal “coragem”. Ora, o que qualquer antropólogo pode identificar imediatamente é que está se tratando de valores culturais.
Não de heranças genéticas ou qualquer forma de pretensa superioridade regional. Falamos de cultura como o conjunto dos comportamentos, saberes e saber-fazer característicos de um grupo humano ou de uma sociedade dada, sendo estas atividades adquiridas por um processo de aprendizagem e transmitidas ao conjunto de seus membros (LAPLANTINE, 1988). Como diz o escritor argentino Jorge Luís Borges, o gaúcho tinha “a obrigação da coragem” A “obrigação da coragem” não é (ou era) patrimônio apenas da região pampeana (RS, Uruguay e Argentina), mas de várias regiões da América Latina, como por exemplo no México rural do passado. Érico Veríssimo descreve magistralmente esta questão, quando o filho do Dr. Rodrigo Cambará (O Arquipélago, O Tempo e o Vento), Floriano, não se ajusta mais ao modelo paterno baseado na cultura da coragem (FONSECA BINS, 2005). Também há um personagem gaúcho (campeiro) na saga de Veríssimo, Liroca, que atravessa décadas num combate eterno contra o medo. É um personagem perfeito para explicar a implicação de uma cultura.
Para completar, Borges dá uma lição de antropologia cultural ao narrar o drama temporal de Pedro Damián, no conto A outra Morte (no livro O Aleph): “Em vão me repeti que um homem acossado por um ato de covardia é mais complexo (...) que um homem meramente corajoso. O gaúcho Martin Fierro, pensei, é menos, memorável que Lord Jim ou Razumov. Sim, mas Damián, como gaúcho, tinha obrigação de ser Martin Fierro.”
Para completar, Borges dá uma lição de antropologia cultural ao narrar o drama temporal de Pedro Damián, no conto A outra Morte (no livro O Aleph): “Em vão me repeti que um homem acossado por um ato de covardia é mais complexo (...) que um homem meramente corajoso. O gaúcho Martin Fierro, pensei, é menos, memorável que Lord Jim ou Razumov. Sim, mas Damián, como gaúcho, tinha obrigação de ser Martin Fierro.”
(III)
Um outro ponto. Muitos intelectuais se acham literalmente em uma cruzada pela “modernização intelectual da província”, como se um tipo de produção (ligada a cultura gaúcha), fosse excludente com o outro, mais urbano, ou como queiram, mais sofisticado. Pior que isto, afirmam que a cultura gaúcha “engessa” as demais. Estranho. Aí parece haver outro grande equívoco, pois não serão as mesmas pessoas que vão produzir as diferentes obras. Existe a escolha. E, além disso, temos excelentes escritores, excelentes filósofos, historiadores. Um cinema bem urbano que se afirma. Excelentes bandas de rock. Bem, se ainda assim não podemos competir culturalmente (como insistem estes intelectuais) com São Paulo, seria de se sugerir que estes intelectuais críticos tirassem do forno suas excelentes e pós-modernas contribuições para ombrearmos com outras províncias. Mas verdadeiramente não acho que um tipo de produção prejudique o outro. Não pode ser esquecido que muitos autores que abordaram a cultura gaúcha (pampeana) tiveram alto nível crítico e alta qualidade literária, tais como Pedro Wayne, Cyro Martins, Ivan de Pedro Martins, Érico Veríssimo, Mario Arregui (Uruguay), Brasil Dubal, Alcy Cheiuche, Sérgio Metz, Tabajara Ruas, etc. Por outro lado, um bom número de músicos gauchescos tem excelente nível musical e de letras. Nei Lisboa disse um dia que gostaria de ver uma ponte entre a musica urbana do Rio Grande e Jayme Caetano Braun.
Também não pode ser esquecido que a Academia (RS) praticamente esqueceu a “cultura guasca” (interessante que mais de 1500 estudantes universitários no Rio Grande do Sul participam como ginetes em rodeios gaúchos).
Um outro ponto. Muitos intelectuais se acham literalmente em uma cruzada pela “modernização intelectual da província”, como se um tipo de produção (ligada a cultura gaúcha), fosse excludente com o outro, mais urbano, ou como queiram, mais sofisticado. Pior que isto, afirmam que a cultura gaúcha “engessa” as demais. Estranho. Aí parece haver outro grande equívoco, pois não serão as mesmas pessoas que vão produzir as diferentes obras. Existe a escolha. E, além disso, temos excelentes escritores, excelentes filósofos, historiadores. Um cinema bem urbano que se afirma. Excelentes bandas de rock. Bem, se ainda assim não podemos competir culturalmente (como insistem estes intelectuais) com São Paulo, seria de se sugerir que estes intelectuais críticos tirassem do forno suas excelentes e pós-modernas contribuições para ombrearmos com outras províncias. Mas verdadeiramente não acho que um tipo de produção prejudique o outro. Não pode ser esquecido que muitos autores que abordaram a cultura gaúcha (pampeana) tiveram alto nível crítico e alta qualidade literária, tais como Pedro Wayne, Cyro Martins, Ivan de Pedro Martins, Érico Veríssimo, Mario Arregui (Uruguay), Brasil Dubal, Alcy Cheiuche, Sérgio Metz, Tabajara Ruas, etc. Por outro lado, um bom número de músicos gauchescos tem excelente nível musical e de letras. Nei Lisboa disse um dia que gostaria de ver uma ponte entre a musica urbana do Rio Grande e Jayme Caetano Braun.
Também não pode ser esquecido que a Academia (RS) praticamente esqueceu a “cultura guasca” (interessante que mais de 1500 estudantes universitários no Rio Grande do Sul participam como ginetes em rodeios gaúchos).
(IV)
E nós, qual a nossa relação com o gaúcho do campo do passado ou de agora? Ora, três décadas atrás, 50% da população era do campo. Difícil alguém metropolitano “puro”. Luciana Hartmann (2004) enfatiza esta passagem de valores em um estupendo trabalho sobre a fronteira. Quase todos os rio-grandenses, temos um ou outro parente originário de zona rural. Utilizamos, sem nos percebermos, de várias expressões derivadas da lida campeira. O gaúcho, quando surge com este nome, é apenas um símbolo clímax, mas na verdade desde 1600, homens de bota de garrão de potro, poncho e a cavalo andam pelos pampas. Criaram palavras (expressões) ou as adaptaram, criaram danças ou as adaptaram, criaram equipamentos como o laço, ou os adaptaram, tiveram mulheres (e estas estão incluídas neste caudal cultural), tiveram filhos, domaram, carretearam, tropearam, influíram ou se deixaram influenciar pelos pequenos povoados. Foram para a guerra, foram bucha de canhão para construção de países, lutaram, roubaram, foram roubados, mataram, morreram, tiveram medo, tiveram coragem, criaram um povo, passaram todas as agruras e em algum momento foram felizes em uma pulperia, num repente, ou com uma china. Criaram uma cultura. Não se tratava de um tipo estanque, o gaúcho, entendam por favor, isto é simbólico, mas de comunidades inteiras em plena dinâmica. Mulheres, homens, crianças, falando a mesma linguagem. Gostando dos mesmos alimentos. Nomeando os objetos e fatos cotidianos da mesma maneira. Bem, esta cultura, estas palavras, este modus vivendi, para o bem ou para o mal, produtos e subprodutos de tudo isto, chegaram até nós. Não inventamos esta relação. Ela esta em nossa pele.
(V)
A última questão é a comemoração em si da Revolução Farroupilha. Tão criticada. Bem eu penso com relação a comemoração que trata-se de uma ato, uma intenção de comemorar um modo ideal de agir. Rebeldia outra vez. Mostrar descontentamento, mostrar a capacidade de dizer que se pode ficar descontente com os governos. É uma festa popular. Na época tinha vários contextos entre os quais, ninguém pode negar, a implantação da república no Brasil, a abolição da escravatura, mudar as condições econômicas e sociais da região (escolas, pontes, impostos, etc). Se havia em alguém, camuflado, intenções menos nobres, não é isso que vamos comemorar. Se não foi popular, precisou de apoio popular. Vamos comemorar a capacidade de se opor a alguém mais forte. Vamos mostrar isto pra os jovens.
Finalizando, Rousseau, destoante da europeização etnocêntrica em marcha no século Dezoito, , previu:“(...) reina entre nossos costumes uma uniformidade desprezível e enganosa e parece que todos os espíritos se fundiram num mesmo molde: (...) incessantemente seguem-se os usos (moda) e não o próprio gênio (caráter pessoal). Não se ousa mais parecer tal como se é, e , sob tal coerção perpétua,...” o rebanho agora, querem nossos intelectuais, tornar-se global.
Deixem as crianças, jovens e velhos comemorarem nosso gauchismo, nativismo, campeirismo ou como quiserem chamar. Amamos a planície e os cavalos.
Deixem as crianças, jovens e velhos comemorarem nosso gauchismo, nativismo, campeirismo ou como quiserem chamar. Amamos a planície e os cavalos.
Sobre o autor: Evaldo Muñoz Braz é pesquisador sobre a cultura gaúcha. Autor de Manifesto Gaúcho e Retratos do Gaúcho Antigo, a gênese de uma cultura.
Chasque: evaldo_braz@pop.com.br
Origem: Enviado pelo autor
A centelha que ilumina o gauchismo
A Chama Crioula não foi eternizada num repente. Antes de criarem o lume que apontaria os novos rumos para as tradições gaúchas, Paixão Côrtes e os sete amigos do Colégio Júlio de Castilhos sacudiram Porto Alegre.As surpresas começaram no final de agosto, quando montaram um simbólico galpão dentro do Julinho, com fogo de chão, roda de mate e declamação de poesias, fundando o Departamento de Tradições Gaúchas (DTG). Foi o marco para os CTGs.Em 5 de setembro, os oito jovens emocionaram a Capital ao escoltar os restos mortais do general farroupilha David Canabarro. Pilchados, com cavalos cedidos pelo Regimento Osório, acompanharam o esquife de Canabarro, transportado de Santana do Livramento para ser enterrado no Panteão Rio-grandense, em Porto Alegre. As exéquias faziam parte da Semana da Pátria. Acostumados a gracejos e deboches, comoveram-se com a receptividade:- As pessoas abanavam lenços, algumas choravam de emoção. O Rio Grande se reagauchava - lembra Paixão Côrtes.Um acidente quase comprometeu a escolta. Na Rua da Conceição, o cavalo de Cilço Araújo Campos, um dos porta-bandeiras do piquete, escorregou e se pranchou (caiu de lado). Fernando Vieira, que vinha atrás, esporeou a sua montaria e alcançou a bandeira do Brasil no ar, evitando que caísse. A sua perícia foi aplaudida pelo povo.O cortejo de honra rendeu valiosas adesões. Maravilhado com aqueles gaudérios que evocavam Piratini, onde nasceu, Luiz Carlos Barbosa Lessa se integrou ao grupo. O futuro escritor, folclorista, músico e historiador era outro desgarrado que se afligia com as trevas que engolfavam a cultura gaúcha. O governo não cumpriu a promessa de construir o panteão (Canabarro jaz numa parede do cemitério da Santa Casa), mas os oito colegas seguiram a cavalgada, reforçados por novos idealistas. Em 7 de setembro, quando Paixão Côrtes apanhou uma centelha do fogo da Pira da Pátria, já havia voluntários suficientes para a "Ronda" que se estendeu até o dia 20, a data da Revolução Farroupilha. Ivo Sanguinetti, Rubem Xavier, Barbosa Lessa e outros indormidos ajudaram a manter aceso o candeeiro crioulo.
Fonte: REPORTAGEM DE ZERO HORA DO DIA 02-09-2007
Fonte: REPORTAGEM DE ZERO HORA DO DIA 02-09-2007
Semana Farroupilha (Parte II) - Complexo de Não Ser Diferente
Autor: Evaldo Muñoz Braz
(I)
Bem, previmos em texto anterior (Cultura Gaúcha E Semana Farroupilha, Jornal do Nativismo de setembro), durante a Semana Farroupilha e sua proximidade, a mídia escrita abundou em textos escritos por intelectuais riograndenses (!?) que se sentem desconfortáveis com nossa cultura. Um jornal importante da capital abriu espaço (mas com reduzido espaço e com muita dificuldade, para contestação) para intelectuais criticarem a Semana Farroupilha, taxando-a principalmente de demarcar fortemente a “diferença” com outros estados. Isto merece algumas análises.
Ora, parece que estes intelectuais não percebem, ou não querem perceber que nos sentimos tão diferentes como os paulistas se sentem e manifestam-se diferentes dos cariocas e vice versa (os simpáticos cariocas não tem seu supercarnaval?). E os mineiros do resto do país. E os nordestinos (principalmente os cearenses) saudavelmente professam suas diferenças e riqueza cultural.
Alguns intelectuais riograndenses já estão rançosos com seu eterno mea culpa da “diferença”. Parecem ter um estranho complexo de “não querer ser diferente do resto do país”. Como se dependesse disso sua inclusão na “inteligência” nacional. Para eles, cultura é somente o “de fora” como diz Roberto Gomes em seu excelente Crítica da Razão Tupiniquim. Tal como o Brasil intelectual bajula o "de fora", alguns nossos também querem o "de fora" anulando o local. Pena. Só para lembrar, os japoneses curtem seu eterno samurai e o ator escocês Sean Connery, enverga (ele gosta de fazer a “diferença” em solenidades com relação aos ingleses), sem nenhum “transtorno de personalidade”, seu kilt (saiote escocês).
(II)
Mais grave que isto, nos últimos anos, a culpa com relação ao estado, desde “necessidade de modernização intelectual da província”; nossa “irrelevância política nas últimas décadas”; decadência econômicas, etc, são sistematicamente atribuídos (por estes mesmos intelectuais) como causas das comemorações gauchescas! Não seria uma simplificação? Existem outras festas gigantescas em outros estados, sem que sejam identificadas como perigosos “transtornos de personalidade” ou “egocentrismo”. Ou ainda, com drásticos efeitos sócio-econômicos! Repito: Não é monopólio do nosso estado delimitar suas características culturais regionais. E esta suposição de “alguém se sentir melhor que outro”? Bem, isto parece estar só na mente destes intelectuais, algo particular. Não conheço nenhum riograndense que se identifique com esta suposição. Fico preocupado também, se isto não manifesta secretamente (em que parte obscura da mente?) por parte destes intelectuais uma refutação a ser/sentir-se latino americano?
Nesta semana farroupilha, na mídia, o único elogio ficou para o lúcido excelente texto de nosso grande escritor Moacyr Scliar (“A celebração da identidade”, publicado no jornal Zero Hora) que com sua cultura judaica milenar, sabe que: “É (sobre as comemorações farroupilhas) uma identidade. E identidade, num mundo globalizado, homogeneizado, é coisa que devemos preservar, porque nos afirma como pessoas. Em matéria de identidade devemos exigir tudo aquilo que temos direito”.
(III)
A cultura gaúcha tem sido atacada, no Rio Grande (é sempre bom lembrar que esta alucinação é interna), na falta (parece-me) de um desafio intelectual maior, por pessoas de esquerda e direita. Note-se o vazio de ambição de nossos intelectuais.
Marx previa que o capital, na sua ânsia por expansão, buscaria o máximo de espaço geográfico (e isto vale tanto com relação ao petróleo do Iraque como nosso espaço cultural no Rio Grande), homogeneizando ao máximo os gostos, para vender seu produtos (todo lixo de diversão divulgado pela grande mídia, esta, extremamente ligada ao somente comercial). Marx continua mais atual como nunca.
O patrulhamento cultural (sim porque verdadeiramente trata-se de um constante patrulhamento cultural) efetivado por estes “intelectuais” servem apenas para propósito de nossa alienação. Devemos digerir tudo que vem de fora? Mesmo que venha lixo junto? Porque não há uma crítica sobre este lixo e deixam nossa cultura (só alguns dias) de fora? Mentalidade colonizada? Quem saberá? Na Itália do passado, o filosofo Gramsci já identificava esta postura da intelectualidade italiana de “tradição livresca e abstrata” que se sente mais ligada a poetas e escritores medíocres do que aos camponeses de seu país.
(IV)
Agora, por favor senhores intelectuais, nascemos aqui. É normal que muitos de nós interessem-se por Jayme Caetano Braun. Como podemos não ser atraídos pela leitura de Hernández, Cyro Martins, Tabajara Ruas, Pedro Wayne, Assis Brasil, Sérgio Metz, Érico Veríssimo, Mario Arregui, Guiraldes, Ivan de Pedro Martins, ou Alcy Cheiuche, ou dos contos gaúchos de Jorge Luis Borges? Como posso não gostar de mate, pajadas, milongas, cavalgadas, gineteadas, churrasco etc? Como posso não gostar da poesia de Luis Menezes? Evidentemente que isto não nos impede de ler e gostar de Quintana, Sheakespeare, Conrad, Elliot, Tennesse Williams, Kafka, Fernando Pessoa, Hemingway, John dos Passos, Jorge Amado, Juremir Machado, Thomas Man, Moacyr Scliar, e tantos outros. Ah! E gostar de jazz (minha música predileta, depois da milonga), etc. É incrível que tenhamos que nos explicar por gostar de nossa cultura!
Diz Roberto Gomes: “É tão grave esquecer-se no passado como esquecer o passado. Nos dois casos desaparece a possibilidade de história.”
(V)
Vou terminar mais uma vez com uma frase do grande escritor argentino, Jorge Luis Borges: “Assim como os homens de outras regiões pressentem e admiram o mar, nos veneramos a planície sob os cascos dos cavalos”.
Não. Vou terminar com dois mestres escritores gaúchos. O mestre Simões Lopes Neto, nas palavras do vaqueano Blau Nunes: “Muita gente vem ao mundo sem saber pra quê. Vivem porque vêem os outros viverem.” E o nosso Moacyr Scliar, mais uma vez: “É uma identidade. E identidade, num mundo globalizado, homogeneizado, é coisa que devemos preservar, porque nos afirma como pessoas. Em matéria de identidade devemos exigir tudo aquilo que temos direito”.
Sobre o autor: Evaldo Muñoz Braz é pesquisador sobre a cultura gaúcha. Autor de Manifesto Gaúcho e Retratos do Gaúcho Antigo, a gênese de uma cultura.
Chasque: evaldo_braz@pop.com.br
Origem: Enviado pelo autor
(I)
Bem, previmos em texto anterior (Cultura Gaúcha E Semana Farroupilha, Jornal do Nativismo de setembro), durante a Semana Farroupilha e sua proximidade, a mídia escrita abundou em textos escritos por intelectuais riograndenses (!?) que se sentem desconfortáveis com nossa cultura. Um jornal importante da capital abriu espaço (mas com reduzido espaço e com muita dificuldade, para contestação) para intelectuais criticarem a Semana Farroupilha, taxando-a principalmente de demarcar fortemente a “diferença” com outros estados. Isto merece algumas análises.
Ora, parece que estes intelectuais não percebem, ou não querem perceber que nos sentimos tão diferentes como os paulistas se sentem e manifestam-se diferentes dos cariocas e vice versa (os simpáticos cariocas não tem seu supercarnaval?). E os mineiros do resto do país. E os nordestinos (principalmente os cearenses) saudavelmente professam suas diferenças e riqueza cultural.
Alguns intelectuais riograndenses já estão rançosos com seu eterno mea culpa da “diferença”. Parecem ter um estranho complexo de “não querer ser diferente do resto do país”. Como se dependesse disso sua inclusão na “inteligência” nacional. Para eles, cultura é somente o “de fora” como diz Roberto Gomes em seu excelente Crítica da Razão Tupiniquim. Tal como o Brasil intelectual bajula o "de fora", alguns nossos também querem o "de fora" anulando o local. Pena. Só para lembrar, os japoneses curtem seu eterno samurai e o ator escocês Sean Connery, enverga (ele gosta de fazer a “diferença” em solenidades com relação aos ingleses), sem nenhum “transtorno de personalidade”, seu kilt (saiote escocês).
(II)
Mais grave que isto, nos últimos anos, a culpa com relação ao estado, desde “necessidade de modernização intelectual da província”; nossa “irrelevância política nas últimas décadas”; decadência econômicas, etc, são sistematicamente atribuídos (por estes mesmos intelectuais) como causas das comemorações gauchescas! Não seria uma simplificação? Existem outras festas gigantescas em outros estados, sem que sejam identificadas como perigosos “transtornos de personalidade” ou “egocentrismo”. Ou ainda, com drásticos efeitos sócio-econômicos! Repito: Não é monopólio do nosso estado delimitar suas características culturais regionais. E esta suposição de “alguém se sentir melhor que outro”? Bem, isto parece estar só na mente destes intelectuais, algo particular. Não conheço nenhum riograndense que se identifique com esta suposição. Fico preocupado também, se isto não manifesta secretamente (em que parte obscura da mente?) por parte destes intelectuais uma refutação a ser/sentir-se latino americano?
Nesta semana farroupilha, na mídia, o único elogio ficou para o lúcido excelente texto de nosso grande escritor Moacyr Scliar (“A celebração da identidade”, publicado no jornal Zero Hora) que com sua cultura judaica milenar, sabe que: “É (sobre as comemorações farroupilhas) uma identidade. E identidade, num mundo globalizado, homogeneizado, é coisa que devemos preservar, porque nos afirma como pessoas. Em matéria de identidade devemos exigir tudo aquilo que temos direito”.
(III)
A cultura gaúcha tem sido atacada, no Rio Grande (é sempre bom lembrar que esta alucinação é interna), na falta (parece-me) de um desafio intelectual maior, por pessoas de esquerda e direita. Note-se o vazio de ambição de nossos intelectuais.
Marx previa que o capital, na sua ânsia por expansão, buscaria o máximo de espaço geográfico (e isto vale tanto com relação ao petróleo do Iraque como nosso espaço cultural no Rio Grande), homogeneizando ao máximo os gostos, para vender seu produtos (todo lixo de diversão divulgado pela grande mídia, esta, extremamente ligada ao somente comercial). Marx continua mais atual como nunca.
O patrulhamento cultural (sim porque verdadeiramente trata-se de um constante patrulhamento cultural) efetivado por estes “intelectuais” servem apenas para propósito de nossa alienação. Devemos digerir tudo que vem de fora? Mesmo que venha lixo junto? Porque não há uma crítica sobre este lixo e deixam nossa cultura (só alguns dias) de fora? Mentalidade colonizada? Quem saberá? Na Itália do passado, o filosofo Gramsci já identificava esta postura da intelectualidade italiana de “tradição livresca e abstrata” que se sente mais ligada a poetas e escritores medíocres do que aos camponeses de seu país.
(IV)
Agora, por favor senhores intelectuais, nascemos aqui. É normal que muitos de nós interessem-se por Jayme Caetano Braun. Como podemos não ser atraídos pela leitura de Hernández, Cyro Martins, Tabajara Ruas, Pedro Wayne, Assis Brasil, Sérgio Metz, Érico Veríssimo, Mario Arregui, Guiraldes, Ivan de Pedro Martins, ou Alcy Cheiuche, ou dos contos gaúchos de Jorge Luis Borges? Como posso não gostar de mate, pajadas, milongas, cavalgadas, gineteadas, churrasco etc? Como posso não gostar da poesia de Luis Menezes? Evidentemente que isto não nos impede de ler e gostar de Quintana, Sheakespeare, Conrad, Elliot, Tennesse Williams, Kafka, Fernando Pessoa, Hemingway, John dos Passos, Jorge Amado, Juremir Machado, Thomas Man, Moacyr Scliar, e tantos outros. Ah! E gostar de jazz (minha música predileta, depois da milonga), etc. É incrível que tenhamos que nos explicar por gostar de nossa cultura!
Diz Roberto Gomes: “É tão grave esquecer-se no passado como esquecer o passado. Nos dois casos desaparece a possibilidade de história.”
(V)
Vou terminar mais uma vez com uma frase do grande escritor argentino, Jorge Luis Borges: “Assim como os homens de outras regiões pressentem e admiram o mar, nos veneramos a planície sob os cascos dos cavalos”.
Não. Vou terminar com dois mestres escritores gaúchos. O mestre Simões Lopes Neto, nas palavras do vaqueano Blau Nunes: “Muita gente vem ao mundo sem saber pra quê. Vivem porque vêem os outros viverem.” E o nosso Moacyr Scliar, mais uma vez: “É uma identidade. E identidade, num mundo globalizado, homogeneizado, é coisa que devemos preservar, porque nos afirma como pessoas. Em matéria de identidade devemos exigir tudo aquilo que temos direito”.
Sobre o autor: Evaldo Muñoz Braz é pesquisador sobre a cultura gaúcha. Autor de Manifesto Gaúcho e Retratos do Gaúcho Antigo, a gênese de uma cultura.
Chasque: evaldo_braz@pop.com.br
Origem: Enviado pelo autor
A Passagem da Tradição Cultural
Autor: Evaldo Munõz Braz
Vi, há algum tempo, a queixa de um pai que reclamava que os filhos, quando cresciam um pouco, abandonavam as tradições. Também a questão de um articulista do Jornal do Nativismo sobre o preconceito local (chamou a atenção por estar pilchado) com a cultura gaúcha.
Realmente no Rio Grande está ficando difícil repassar as tradições básicas do estado (e, mais estranho ainda, o que deveria ser considerado normal, é considerado exótico, como o caso da roupa campeira. Os dois articuladores tem toda razão. Mas isto se deve a que?Algumas considerações podem ser feitas:
1) Vamos a verdade , a grane mídia formal trabalha praticamente alheia a região: A mídia erroneamente (talvez por julgar fora de sua alçada) pouco divulga com antecedência eventos ligados a cultura gauchesca ou crioula. Normalmente o faz (quando o faz) após os acontecimentos. Temos mais informação da vida social de S.Paulo do que o que acontece no estado.Por exemplo, quando o pesquisador Paixão Côrtes lança outro livro não recebe o adequado respaldo dos meios de comunicação, principalmente da mídia escrita.
Quando se trata de domas ou rodeios então, qualquer outro evento esportivo tem mais espaço! Como saber com agilidade quando chegamos ao Rio Grande destas informações? (Os rodeios dos caipiras, inclusive aqui, tem mais publicidade!!!).
2) Muitos “intelectuais” rio-grandenses, presos em seu eterno paradigma, afetando cosmopolitismo esculhambam a cultura gaúcha como um todo provocando confusões teóricas nos menos avisados.Evitam qualquer contato com a cultura gaúcha, como estigma de falta de cultura. Pretendem descender de qualquer cultura, menos desta, legitimamente latino-americana. Ignoram talvez Athaualpa Yupanqui ou Jayme Caetano Braun.
Dada a sua respeitabilidade (intelectuais) aparente e debilidade de informação histórica/antropológica sobre o gaúcho antigo por parte de quem gosta da cultura gaúcha, para responder adequadamente , estes que gostam normalmente se calam. O efeito sobre os jovens é devastador.
Exemplo: quando meu filho fez cursinho para o vestibular, no segundo dia voltou dizendo que o professor afirmara que a cultura gaúcha era falsa, etc. Claro , o professor tinha lacunas culturais. Lera só alguns escritores que tinham ódio ao gaúcho (e isso virou moda). mas não se dera ao trabalho de ir adiante e ler a história com uma maior compreensão.
3) Os livros escolares não incluem mais informações sobre as características de nossa cultura, lendas, curiosidades como nos livros do passado, que passavam estas informações de maneira natural e divertida.
4) Não criamos nossos filhos dentro um ambiente naturalmente gaúcho. Não é preciso obrigar a nada. Mas ouvimos diariamente em casa músicas gaúchas de qualidade?Comentamos com nossos filhos as bases da formação do Rio Grande antigo? Sabemos realmente quem era o gaúcho antigo e passamos isto para os filhos?Quem sabe narrar alguma passagem bonita da Revolução Farroupilha ou causos construtivos (não piadas grosseiras) para as crianças?
Ora, é necessário se ter um substrato ou parecerá para os filhos que nossa cultura é uma “invenção” artificial.Procuramos interessar as crianças desde cedo a andar a cavalo (em chácara, fazenda de um amigo, pista de equitação)? O conhecimento da encilha atrai muito as crianças.
Explicamos as crianças que esta é uma peculiaridade nossa e nas outras regiões haverá outros fatores comportamentais (nem melhor e nem piores que os nossos)?
Alguém já deu algum livro de Simões Lopes Neto ou Darcy Azambuja para um filho adolescente? Ou o Continente , do Érico Veríssimo? Já deu para um filho um CD gaúcho de qualidade?
Quem tem origem no campo/colônia em uma ou duas gerações (a médio ou longo prazo, todos temos) comentou a vida rural dos avós com os filhos?Ensinamos aos meninos termos/expressões campeiros gaúchos?Sabemos a história do estado?
Concluindo: sem fatores assim e com a competição da mídia massificadora, que divulga dioturnamente o “de fora” em detrimento do local, mesmo para adultos (professores, jornalistas, etc), o “normal” passa a ser o produzido em qualquer outro lugar.
O exótico passa a ser o local. Um vaqueiro nordestino, um samurai ou um cowboy americano (com suas histórias bonitas, diga-se de passagem, e divulgadas aos quatro ventos por suas regiões ou países de origem) passam a ter mais proximidade que um gaúcho pilchado que atravessa a rua.
Realmente no Rio Grande está ficando difícil repassar as tradições básicas do estado (e, mais estranho ainda, o que deveria ser considerado normal, é considerado exótico, como o caso da roupa campeira. Os dois articuladores tem toda razão. Mas isto se deve a que?Algumas considerações podem ser feitas:
1) Vamos a verdade , a grane mídia formal trabalha praticamente alheia a região: A mídia erroneamente (talvez por julgar fora de sua alçada) pouco divulga com antecedência eventos ligados a cultura gauchesca ou crioula. Normalmente o faz (quando o faz) após os acontecimentos. Temos mais informação da vida social de S.Paulo do que o que acontece no estado.Por exemplo, quando o pesquisador Paixão Côrtes lança outro livro não recebe o adequado respaldo dos meios de comunicação, principalmente da mídia escrita.
Quando se trata de domas ou rodeios então, qualquer outro evento esportivo tem mais espaço! Como saber com agilidade quando chegamos ao Rio Grande destas informações? (Os rodeios dos caipiras, inclusive aqui, tem mais publicidade!!!).
2) Muitos “intelectuais” rio-grandenses, presos em seu eterno paradigma, afetando cosmopolitismo esculhambam a cultura gaúcha como um todo provocando confusões teóricas nos menos avisados.Evitam qualquer contato com a cultura gaúcha, como estigma de falta de cultura. Pretendem descender de qualquer cultura, menos desta, legitimamente latino-americana. Ignoram talvez Athaualpa Yupanqui ou Jayme Caetano Braun.
Dada a sua respeitabilidade (intelectuais) aparente e debilidade de informação histórica/antropológica sobre o gaúcho antigo por parte de quem gosta da cultura gaúcha, para responder adequadamente , estes que gostam normalmente se calam. O efeito sobre os jovens é devastador.
Exemplo: quando meu filho fez cursinho para o vestibular, no segundo dia voltou dizendo que o professor afirmara que a cultura gaúcha era falsa, etc. Claro , o professor tinha lacunas culturais. Lera só alguns escritores que tinham ódio ao gaúcho (e isso virou moda). mas não se dera ao trabalho de ir adiante e ler a história com uma maior compreensão.
3) Os livros escolares não incluem mais informações sobre as características de nossa cultura, lendas, curiosidades como nos livros do passado, que passavam estas informações de maneira natural e divertida.
4) Não criamos nossos filhos dentro um ambiente naturalmente gaúcho. Não é preciso obrigar a nada. Mas ouvimos diariamente em casa músicas gaúchas de qualidade?Comentamos com nossos filhos as bases da formação do Rio Grande antigo? Sabemos realmente quem era o gaúcho antigo e passamos isto para os filhos?Quem sabe narrar alguma passagem bonita da Revolução Farroupilha ou causos construtivos (não piadas grosseiras) para as crianças?
Ora, é necessário se ter um substrato ou parecerá para os filhos que nossa cultura é uma “invenção” artificial.Procuramos interessar as crianças desde cedo a andar a cavalo (em chácara, fazenda de um amigo, pista de equitação)? O conhecimento da encilha atrai muito as crianças.
Explicamos as crianças que esta é uma peculiaridade nossa e nas outras regiões haverá outros fatores comportamentais (nem melhor e nem piores que os nossos)?
Alguém já deu algum livro de Simões Lopes Neto ou Darcy Azambuja para um filho adolescente? Ou o Continente , do Érico Veríssimo? Já deu para um filho um CD gaúcho de qualidade?
Quem tem origem no campo/colônia em uma ou duas gerações (a médio ou longo prazo, todos temos) comentou a vida rural dos avós com os filhos?Ensinamos aos meninos termos/expressões campeiros gaúchos?Sabemos a história do estado?
Concluindo: sem fatores assim e com a competição da mídia massificadora, que divulga dioturnamente o “de fora” em detrimento do local, mesmo para adultos (professores, jornalistas, etc), o “normal” passa a ser o produzido em qualquer outro lugar.
O exótico passa a ser o local. Um vaqueiro nordestino, um samurai ou um cowboy americano (com suas histórias bonitas, diga-se de passagem, e divulgadas aos quatro ventos por suas regiões ou países de origem) passam a ter mais proximidade que um gaúcho pilchado que atravessa a rua.
Sobre o autor: Evaldo Muñoz Braz é pesquisador sobre a cultura gaúcha. Autor de Manifesto Gaúcho e Retratos do Gaúcho Antigo, a gênese de uma cultura.
Chasque: evaldo_braz@pop.com.br
Origem: Enviado pelo Autor
Chasque: evaldo_braz@pop.com.br
Origem: Enviado pelo Autor
Sobre Festejar a Cultura Gaúcha
Texto escrito em réplica à publicação de A Disneylandia de bombachas por Cristóvão Feil, em 25 de setembro de 2004.
Autor: Evaldo Munõz Braz
Difícil compreender o intelectual Cristóvão Feil. Ele ataca os tradicionalistas formais ou a cultura gaúcha como um todo? Provavelmente ele ataca os tradicionalistas, e não tenho procuração em defende-los, mas logo na introdução, ele garante que, no Rio Grande, não se nasce gaúcho, torna-se artificialmente gaúcho.Bem, neste caso eu tenho que opinar, pois não tenho nada de artificial.
Nos últimos 20 anos, aproximadamente, grande parte dos intelectuais rio-grandenses optou por medir músculos, não com grandes desafios no desenvolvimento de teorias novas, que possam melhorar nossa sociedade. Nada disso. Nossos intelectuais gostam de mostrar sua inteligência atacando movimentos culturais locais, os quais, por acaso, tem boa acolhida por grande parte da população. Aliás, esta parte da população, já identificada por pesquisadores como Ruben Oliven, nada tem a ver com latifúndio, ou mesmo com nossa burguesia. Quer dizer, estes intelectuais lutam contra a preferência popular.
O fato é bastante estranho. Pois ninguém imaginaria um intelectual japonês malhando o samurai, ou um intelectual nordestino malhando o admirável vaqueiro. Ou um paulista malhando o seu caipira/caubói, super americanizado. Aliás , ninguém nem nota isso ou pensa criticar isto.
Feil começa logo com um erro sempre repetido no Rio Grande. Afirma que o gaúcho é uma invenção republicano farroupilha e positivista e latifundiária. Ora, o positivismo odiava o gaúcho. Tinha-o como bárbaro, e bárbara a sua influência. Na época, foram massacrados criticamente Simões Lopes Neto e Alcides Maya. Este último com seu livro Ruínas Vivas, verdadeira obra-prima. Penso que é necessário ler mais um pouco antes de elaborar teses vazias.
O viés latifundiário já esta desgastado. Quem leu Martin Fierro sabe que a cultura baseia-se primariamente no indivíduo sem posses. Lembrando Darwin, ele notou sobre o gaúcho: - Como podem indivíduos sem posse ter tanto orgulho? Quem leu Assunção ou Rodrigues Molas sabe que o gaúcho é pré-Fazenda. Quando ela institui -se, ele torna-se marginal. Depois, mais tarde, dela dependente.
Outra fator que o autor considera erroneamente é o de esquecer que o gaúcho, com suas idiossincrasias culturais, era conhecido previamente bem antes do Parthenon Cultural e mais ainda do Paixão Cortes.O que consideramos cultura gaúcha, nós, os que se consideram gaúchos sem artificialismo, começou por volta de 1600 nos pampas da América do Sul. Pré-fazenda, pré-boi mas derivado da, isto sim, introdução do cavalo e da mistura da cultura ibérica com a cultura indígena. Bem, depois acontece o gado chimarrão, e a mistura estava completa. A cultura que nos atraiu e nos influenciou diz respeito ao tropeiro, ao carreteiro, aos rio-grandenses observados por Dreys, aos gaúchos nômades observados também por Dreys(1817 no Rio Grande), Luccock (1807 no Rio Grande), Darwin (1832 no Prata), Hörmeyer (1850 no Rio Grande), padre Schoenards (1900 no Rio Grande), Head (1820), matreros, peões, tumbeiros, peonas, e um variado gradiente de campesinos do pampa. Isto é o que nos afeta e atrai como gaúcho.
Acho, aliás, que o autor também erra de mão ao acusar o tradicionalismo (o qual, reafirmo, não tenho ligação) de preconceituoso com demais culturas, pois um dos símbolos do Rio Grande, por eles defendido não é Sepé Tiaraju, o cacique indígena defensor das Missões?
Outro fator, errôneo, defendido pelo autor e por vários intelectuais não gaúchos, mas apenas rio-grandenses, é suporem o Rio Grande isolado do mundo. Esquecem que pré-Parthenon Literário, já se escrevia literariamente sobre o gaúcho na França (Dumas) , na Alemanha (Kal May), nos Estados Unidos (Walt Witman no portentoso Leaves of Grass), no mundo.
Porque escreviam sobre o gaúcho? Porque se tratava de um tipo diferenciado culturalmente, chamava a atenção, apenas isto. Culturalmente, repito, antropologicamente chamava a atenção, assim como outros tipos no mundo. Ora, seu ethos, ou seus epítetos são apenas fatores culturais, isto deve ser bem frisado. Ninguém o supõe especial de outros tipos brasileiros, não, apenas um agrupamento que tinha determinadas obrigações culturais (refiro-me ao tipo campeiro do passado) modais, ou seja que a grande maioria tinha obrigação de cumprir. Algumas destas obrigações, diga-se de passagem, compartidas com tipos de outras partes do mundo. Os “esboços de construção mental” não são invenção do Parthenon ou de Barbosa Lessa, mas de centenas de viajantes estrangeiros que estiveram mais entre 100 e 200 anos atrás nos pampas argentinos, uruguayos e rio-grandenses e anotaram o comportamental de uma região situada no Rio Grande do Sul, Uruguay e parte da Argentina.
Aliás, por falar em antropologia, estes nossos intelectuais rio-grandenses, em guerra constante com a cultura gaúcha, parecem crer numa antropologia evolucionista, pré-Franz Boas, preconceituosa, etnocentrista e do século retrasado. Impressionante! Nossos intelectuais iluministas consideram as formas de estar-no-mundo somente as ditadas pela mídia (neste momento, o espaço aberto pela Agência Carta Maior é fundamental!).Eu, pessoalmente recomendaria sempre este pessoal que ataca cegamente a cultura gaúcha, a buscar sólidas bases de informações históricas e fundamentalmente ligadas à antropologia cultural. Recomendo também pesquisarem quadros antigos em museus na Argentina, Brasil, Uruguay etc. E estudarem as letras de nossas músicas. Como diria Edgar Morin, não há um método padrão. Para emitir-se opinião sobre algo é preciso mais do que uma tese acadêmica que tenha por finalidade apenas instrumentalizar o futuro pesquisador em sua capacidade de pensar e organizar suas pesquisas. São necessários sistemas mais abrangentes de captação das informações, antes de dar gafes intelectuais.
Feil deve ser jovem, pois vê com novidade com a velha história da bombacha ter origem fora do Rio Grande. Já comprovadamente com mais de 140 anos. Deus meu, até o kilt escocês tornou-se tradicional com menos tempo. Mas nossas reminiscências primeiras vêm do tempo do chiripá.
Quando comemoramos a Revolução Farroupilha (acho que todos os estado tem suas comemorações principais não é mesmo? Os cariocas não tem seu supercarnaval?), estamos aproveitando para celebrar uma raiz cultural e não defendendo o latifúndio. Basta ouvir nossa musica, sempre com forte crítica social embutida, desde a payada de Hernandez. Neste mar atual de mediocridade da música brasileira, parece que somos uma ilha de inconformismo político/social. Mas isto não é visto pelos críticos de nossa cultura. Na época da ditadura no Uruguay, é bom lembrar, a poesia Martin Fierro era proibida naquele pais.
Fazendo um ligeiro parênteses, Francisco Ferreira de Souza, cirurgião-mor do 1o Regimento do Rio de Janeiro, acompanhando por mar sua unidade até o Rio Grande em 1773 (as notas só seriam publicadas em 1777), ou seja, 230 anos atrás, comenta sobre o povo local: “A ler e escrever se não empregam , pois todo destino é laçar, arrear e bolear.” Isto parece ser indicativo de nosso passado.
A cultura gaúcha tem sido malhada, no Rio Grande (é sempre bom lembrar que esta alucinação é interna), na falta de um desafio intelectual maior, por pessoal de esquerda e direita. Note-se o vazio de ambição de nossos intelectuais.
Marx previa que o capital, na sua ânsia por expansão, buscaria o máximo de espaço geográfico (e isto vale tanto com relação ao petróleo do Iraque como nosso espaço cultural no Rio Grande), homogeneizando ao máximo os gostos, para vender seu produtos (todo lixo de diversão divulgado pela grande mídia, esta, extremamente ligada ao somente comercial) . Marx continua mais atual como nunca.
O patrulhamento cultural efetivado por estes “intelectuais” servem apenas para propósito de nossa alienação. Devemos sambar (nada contra esta invenção do Estado Novo) apenas, ou ouvir a musica caipira (atual) pasteurizada (que saudades de Tonico e Tinoco)?
Ora, olhem as estatísticas, algumas décadas atrás, a maior parte da população do Rio Grande (e do Brasil) era do campo. Descendemos de pessoas do campo. Eu descendo de pessoas do campo. Peões, carreteiros. Uso diariamente, sem saber, assim como muitos dos “intelectuais”, dezenas de palavras de origem campeira. Algum resto de comportamento, provavelmente também ficou em nós. Porque o preconceito então? Difícil responder. Talvez falta de opção para o desenvolvimento de teses? Fraqueza intelectual? Duvidosa orientação via universidade? Na Itália, o filosofo Gramsci já identificava esta postura da intelectualidade italiana de “tradição livresca e abstrata” que se sente mais ligada a poetas e escritores medíocres do que aos camponeses de seu país.
Por outro lado, o nosso estado tem uma tradição de retribuir com fama aqueles que atacam a cultura gaúcha. Há o caso de historiadores famosos no Rio Grande do Sul, que devem seu prestígio não à qualidade de suas pesquisas, mas apenas ao fato de incluírem em seus textos opiniões maniqueístas sobre nossos costumes, história, culinária, música, festas regionais etc. A atração é irresistível, pois imediatamente se abrem jornais e a mídia como um todo aqui no estado. E também imediatamente o intelectual entra para o Hall da Fama fácil.
O autor diz que a cultura gaúcha sufoca outras formas de cultura dentro do Rio Grande. Caso seja verdade, o que não é, de quem seria a culpa se outras formas não aparecem, se não da própria Academia. Se estes intelectuais não perdessem tanto tempo atacando o gaúcho poderiam encontrar tempo para novos desafios. Aliás, na falta de pesquisadores da Academia é que surge uma etnologia gaúcha eventualmente improvisada. E também, parece-me, não é função dos tradicionalistas fazerem o papel das Universidades e demais instituições de ensino e pesquisa cultural ou mesmo folclórica.
Agora, por favor pessoal, nascemos aqui, fica difícil para mim, interessar-me primeiramente por outras culturas, preferir Chitãozinhos a Jayme Caetano Braun. Como posso não ser atraído pela leitura de Ivan de Pedro Martins, ou Darcy Azambuja, ou Cyro Martins, ou Tabajara Ruas, ou Pedro Wayne, ou Érico Veríssimo, ou Guiraldes, ou dos contos gaúchos borgeanos? Como posso não gostar de mate, milongas, gineteadas, churrasco etc? Como posso não gostar da poesia de Luis Menezes? Evidentemente que isto não me impede de ler e gostar de Conrad, Elliot, Kafka, Fernando Pessoa, John dos Passos, Jorge Amado, Thomas Man e tantos outros, gostar de jazz etc. (aliás, nosso estado é rico em excelentes bandas de rock).
Vou terminar com uma frase do grande escritor argentino, Jorge Luis Borges: ²Assim como os homens de outras regiões pressentem e admiram o mar, nos veneramos a planície sob os cascos dos cavalos”
Autor: Evaldo Munõz Braz
Difícil compreender o intelectual Cristóvão Feil. Ele ataca os tradicionalistas formais ou a cultura gaúcha como um todo? Provavelmente ele ataca os tradicionalistas, e não tenho procuração em defende-los, mas logo na introdução, ele garante que, no Rio Grande, não se nasce gaúcho, torna-se artificialmente gaúcho.Bem, neste caso eu tenho que opinar, pois não tenho nada de artificial.
Nos últimos 20 anos, aproximadamente, grande parte dos intelectuais rio-grandenses optou por medir músculos, não com grandes desafios no desenvolvimento de teorias novas, que possam melhorar nossa sociedade. Nada disso. Nossos intelectuais gostam de mostrar sua inteligência atacando movimentos culturais locais, os quais, por acaso, tem boa acolhida por grande parte da população. Aliás, esta parte da população, já identificada por pesquisadores como Ruben Oliven, nada tem a ver com latifúndio, ou mesmo com nossa burguesia. Quer dizer, estes intelectuais lutam contra a preferência popular.
O fato é bastante estranho. Pois ninguém imaginaria um intelectual japonês malhando o samurai, ou um intelectual nordestino malhando o admirável vaqueiro. Ou um paulista malhando o seu caipira/caubói, super americanizado. Aliás , ninguém nem nota isso ou pensa criticar isto.
Feil começa logo com um erro sempre repetido no Rio Grande. Afirma que o gaúcho é uma invenção republicano farroupilha e positivista e latifundiária. Ora, o positivismo odiava o gaúcho. Tinha-o como bárbaro, e bárbara a sua influência. Na época, foram massacrados criticamente Simões Lopes Neto e Alcides Maya. Este último com seu livro Ruínas Vivas, verdadeira obra-prima. Penso que é necessário ler mais um pouco antes de elaborar teses vazias.
O viés latifundiário já esta desgastado. Quem leu Martin Fierro sabe que a cultura baseia-se primariamente no indivíduo sem posses. Lembrando Darwin, ele notou sobre o gaúcho: - Como podem indivíduos sem posse ter tanto orgulho? Quem leu Assunção ou Rodrigues Molas sabe que o gaúcho é pré-Fazenda. Quando ela institui -se, ele torna-se marginal. Depois, mais tarde, dela dependente.
Outra fator que o autor considera erroneamente é o de esquecer que o gaúcho, com suas idiossincrasias culturais, era conhecido previamente bem antes do Parthenon Cultural e mais ainda do Paixão Cortes.O que consideramos cultura gaúcha, nós, os que se consideram gaúchos sem artificialismo, começou por volta de 1600 nos pampas da América do Sul. Pré-fazenda, pré-boi mas derivado da, isto sim, introdução do cavalo e da mistura da cultura ibérica com a cultura indígena. Bem, depois acontece o gado chimarrão, e a mistura estava completa. A cultura que nos atraiu e nos influenciou diz respeito ao tropeiro, ao carreteiro, aos rio-grandenses observados por Dreys, aos gaúchos nômades observados também por Dreys(1817 no Rio Grande), Luccock (1807 no Rio Grande), Darwin (1832 no Prata), Hörmeyer (1850 no Rio Grande), padre Schoenards (1900 no Rio Grande), Head (1820), matreros, peões, tumbeiros, peonas, e um variado gradiente de campesinos do pampa. Isto é o que nos afeta e atrai como gaúcho.
Acho, aliás, que o autor também erra de mão ao acusar o tradicionalismo (o qual, reafirmo, não tenho ligação) de preconceituoso com demais culturas, pois um dos símbolos do Rio Grande, por eles defendido não é Sepé Tiaraju, o cacique indígena defensor das Missões?
Outro fator, errôneo, defendido pelo autor e por vários intelectuais não gaúchos, mas apenas rio-grandenses, é suporem o Rio Grande isolado do mundo. Esquecem que pré-Parthenon Literário, já se escrevia literariamente sobre o gaúcho na França (Dumas) , na Alemanha (Kal May), nos Estados Unidos (Walt Witman no portentoso Leaves of Grass), no mundo.
Porque escreviam sobre o gaúcho? Porque se tratava de um tipo diferenciado culturalmente, chamava a atenção, apenas isto. Culturalmente, repito, antropologicamente chamava a atenção, assim como outros tipos no mundo. Ora, seu ethos, ou seus epítetos são apenas fatores culturais, isto deve ser bem frisado. Ninguém o supõe especial de outros tipos brasileiros, não, apenas um agrupamento que tinha determinadas obrigações culturais (refiro-me ao tipo campeiro do passado) modais, ou seja que a grande maioria tinha obrigação de cumprir. Algumas destas obrigações, diga-se de passagem, compartidas com tipos de outras partes do mundo. Os “esboços de construção mental” não são invenção do Parthenon ou de Barbosa Lessa, mas de centenas de viajantes estrangeiros que estiveram mais entre 100 e 200 anos atrás nos pampas argentinos, uruguayos e rio-grandenses e anotaram o comportamental de uma região situada no Rio Grande do Sul, Uruguay e parte da Argentina.
Aliás, por falar em antropologia, estes nossos intelectuais rio-grandenses, em guerra constante com a cultura gaúcha, parecem crer numa antropologia evolucionista, pré-Franz Boas, preconceituosa, etnocentrista e do século retrasado. Impressionante! Nossos intelectuais iluministas consideram as formas de estar-no-mundo somente as ditadas pela mídia (neste momento, o espaço aberto pela Agência Carta Maior é fundamental!).Eu, pessoalmente recomendaria sempre este pessoal que ataca cegamente a cultura gaúcha, a buscar sólidas bases de informações históricas e fundamentalmente ligadas à antropologia cultural. Recomendo também pesquisarem quadros antigos em museus na Argentina, Brasil, Uruguay etc. E estudarem as letras de nossas músicas. Como diria Edgar Morin, não há um método padrão. Para emitir-se opinião sobre algo é preciso mais do que uma tese acadêmica que tenha por finalidade apenas instrumentalizar o futuro pesquisador em sua capacidade de pensar e organizar suas pesquisas. São necessários sistemas mais abrangentes de captação das informações, antes de dar gafes intelectuais.
Feil deve ser jovem, pois vê com novidade com a velha história da bombacha ter origem fora do Rio Grande. Já comprovadamente com mais de 140 anos. Deus meu, até o kilt escocês tornou-se tradicional com menos tempo. Mas nossas reminiscências primeiras vêm do tempo do chiripá.
Quando comemoramos a Revolução Farroupilha (acho que todos os estado tem suas comemorações principais não é mesmo? Os cariocas não tem seu supercarnaval?), estamos aproveitando para celebrar uma raiz cultural e não defendendo o latifúndio. Basta ouvir nossa musica, sempre com forte crítica social embutida, desde a payada de Hernandez. Neste mar atual de mediocridade da música brasileira, parece que somos uma ilha de inconformismo político/social. Mas isto não é visto pelos críticos de nossa cultura. Na época da ditadura no Uruguay, é bom lembrar, a poesia Martin Fierro era proibida naquele pais.
Fazendo um ligeiro parênteses, Francisco Ferreira de Souza, cirurgião-mor do 1o Regimento do Rio de Janeiro, acompanhando por mar sua unidade até o Rio Grande em 1773 (as notas só seriam publicadas em 1777), ou seja, 230 anos atrás, comenta sobre o povo local: “A ler e escrever se não empregam , pois todo destino é laçar, arrear e bolear.” Isto parece ser indicativo de nosso passado.
A cultura gaúcha tem sido malhada, no Rio Grande (é sempre bom lembrar que esta alucinação é interna), na falta de um desafio intelectual maior, por pessoal de esquerda e direita. Note-se o vazio de ambição de nossos intelectuais.
Marx previa que o capital, na sua ânsia por expansão, buscaria o máximo de espaço geográfico (e isto vale tanto com relação ao petróleo do Iraque como nosso espaço cultural no Rio Grande), homogeneizando ao máximo os gostos, para vender seu produtos (todo lixo de diversão divulgado pela grande mídia, esta, extremamente ligada ao somente comercial) . Marx continua mais atual como nunca.
O patrulhamento cultural efetivado por estes “intelectuais” servem apenas para propósito de nossa alienação. Devemos sambar (nada contra esta invenção do Estado Novo) apenas, ou ouvir a musica caipira (atual) pasteurizada (que saudades de Tonico e Tinoco)?
Ora, olhem as estatísticas, algumas décadas atrás, a maior parte da população do Rio Grande (e do Brasil) era do campo. Descendemos de pessoas do campo. Eu descendo de pessoas do campo. Peões, carreteiros. Uso diariamente, sem saber, assim como muitos dos “intelectuais”, dezenas de palavras de origem campeira. Algum resto de comportamento, provavelmente também ficou em nós. Porque o preconceito então? Difícil responder. Talvez falta de opção para o desenvolvimento de teses? Fraqueza intelectual? Duvidosa orientação via universidade? Na Itália, o filosofo Gramsci já identificava esta postura da intelectualidade italiana de “tradição livresca e abstrata” que se sente mais ligada a poetas e escritores medíocres do que aos camponeses de seu país.
Por outro lado, o nosso estado tem uma tradição de retribuir com fama aqueles que atacam a cultura gaúcha. Há o caso de historiadores famosos no Rio Grande do Sul, que devem seu prestígio não à qualidade de suas pesquisas, mas apenas ao fato de incluírem em seus textos opiniões maniqueístas sobre nossos costumes, história, culinária, música, festas regionais etc. A atração é irresistível, pois imediatamente se abrem jornais e a mídia como um todo aqui no estado. E também imediatamente o intelectual entra para o Hall da Fama fácil.
O autor diz que a cultura gaúcha sufoca outras formas de cultura dentro do Rio Grande. Caso seja verdade, o que não é, de quem seria a culpa se outras formas não aparecem, se não da própria Academia. Se estes intelectuais não perdessem tanto tempo atacando o gaúcho poderiam encontrar tempo para novos desafios. Aliás, na falta de pesquisadores da Academia é que surge uma etnologia gaúcha eventualmente improvisada. E também, parece-me, não é função dos tradicionalistas fazerem o papel das Universidades e demais instituições de ensino e pesquisa cultural ou mesmo folclórica.
Agora, por favor pessoal, nascemos aqui, fica difícil para mim, interessar-me primeiramente por outras culturas, preferir Chitãozinhos a Jayme Caetano Braun. Como posso não ser atraído pela leitura de Ivan de Pedro Martins, ou Darcy Azambuja, ou Cyro Martins, ou Tabajara Ruas, ou Pedro Wayne, ou Érico Veríssimo, ou Guiraldes, ou dos contos gaúchos borgeanos? Como posso não gostar de mate, milongas, gineteadas, churrasco etc? Como posso não gostar da poesia de Luis Menezes? Evidentemente que isto não me impede de ler e gostar de Conrad, Elliot, Kafka, Fernando Pessoa, John dos Passos, Jorge Amado, Thomas Man e tantos outros, gostar de jazz etc. (aliás, nosso estado é rico em excelentes bandas de rock).
Vou terminar com uma frase do grande escritor argentino, Jorge Luis Borges: ²Assim como os homens de outras regiões pressentem e admiram o mar, nos veneramos a planície sob os cascos dos cavalos”
Sobre o autor: Evaldo Muñoz Braz é pesquisador sobre a cultura gaúcha. Autor de Manifesto Gaúcho e Retratos do Gaúcho Antigo, a gênese de uma cultura.
Chasque: evaldo_braz@pop.com.br
Origem: Enviado pelo autor
O Valor do Movimento Tradicionalista Gaúcho
Os Estados Unidos da América vem se desenvolvendo de forma invejável desde a sua formação, mas sua hegemonia sobre o planeta terra se deu, de forma indiscutível, a partir do final da segunda guerra mundial. Nesse período aconteceu um grande golpe nas expressões culturais regionais, foi imposto ao mundo uma política homogeneizadora que aniquilou as diferenças regionais. E no Rio Grande não foi diferente, assim como em todo mundo, quem não era ‘americanizado’ era atrasado, era fora de moda, etc. foi então que surgiu o gauchismo institucionalizado na forma de um Movimento como resposta regional ao americanismo.
O Movimento tradicionalista gaúcho cresceu muito, mesmo nessa terra infértil para o surgimento de expressões culturais regionais. Em um tempo em que se incentiva o surgimento apenas de expressões ramificadas da cultura americana, como é o caso dos rock’s nacionais, dos rodeios country também nacionais, como se fosse expressão genuína de um povo quando na verdade é uma imposição enganadora de valores. O MTG conseguiu estabelecer uma política que preservou os elementos culturais dos gaúchos mesmo que fossem tachados de juízos de valores negativos. E com essa política foi se desenvolvendo e tornando-se alternativa para aqueles que desejavam ir contra a ordem vigente e cultivar os valores regionais. O movimento com suas regras rígidas, a ponto de sofrerem críticas, não permitiu que acontecessem aberrações ideológicas como o caso dos jovens que se dizem Marxistas, anti-americanos, mas ao mesmo tempo calçam o tênis “All Star” e são adoradores do Rock and Roll. Esse é o tipo de revolucionário que todo sistema vigente sonha, pois eles pensam que estão contestando quando na verdade estão corroborando para a continuação do que está posto.
Mas fique bem claro, que o movimento tradicionalista, não é opositor e nem contestador do sistema, ao contrário ele é um movimento com vida própria e não existe apenas em relação ao outro. Ocorre que ele se torna concorrente e barreira para políticas hegemônicas, não importa se o impositor são os EUA, a Europa, ou China, etc. o movimento esta lá para defender a causa gauchista de qualquer pretensão imperialista.
Embora eu não seja ligado ao MTG, tomei a liberdade de fazer essa análise, pois reconheço a importância desse movimento para o Rio Grande.
Autor: Celso Garcia, graduando de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). 13-10-07
O Movimento tradicionalista gaúcho cresceu muito, mesmo nessa terra infértil para o surgimento de expressões culturais regionais. Em um tempo em que se incentiva o surgimento apenas de expressões ramificadas da cultura americana, como é o caso dos rock’s nacionais, dos rodeios country também nacionais, como se fosse expressão genuína de um povo quando na verdade é uma imposição enganadora de valores. O MTG conseguiu estabelecer uma política que preservou os elementos culturais dos gaúchos mesmo que fossem tachados de juízos de valores negativos. E com essa política foi se desenvolvendo e tornando-se alternativa para aqueles que desejavam ir contra a ordem vigente e cultivar os valores regionais. O movimento com suas regras rígidas, a ponto de sofrerem críticas, não permitiu que acontecessem aberrações ideológicas como o caso dos jovens que se dizem Marxistas, anti-americanos, mas ao mesmo tempo calçam o tênis “All Star” e são adoradores do Rock and Roll. Esse é o tipo de revolucionário que todo sistema vigente sonha, pois eles pensam que estão contestando quando na verdade estão corroborando para a continuação do que está posto.
Mas fique bem claro, que o movimento tradicionalista, não é opositor e nem contestador do sistema, ao contrário ele é um movimento com vida própria e não existe apenas em relação ao outro. Ocorre que ele se torna concorrente e barreira para políticas hegemônicas, não importa se o impositor são os EUA, a Europa, ou China, etc. o movimento esta lá para defender a causa gauchista de qualquer pretensão imperialista.
Embora eu não seja ligado ao MTG, tomei a liberdade de fazer essa análise, pois reconheço a importância desse movimento para o Rio Grande.
Autor: Celso Garcia, graduando de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). 13-10-07
A Questão Separatista
Quando se fala da questão separatista as pessoas (principalmente as que possuem uma posição de destaque) ficam reticentes em falar sua verdadeira opinião sobre o assunto, até porque é mais fácil falar simplesmente que é contra. A minha opinião sobre o assunto é mais complexa do que ‘sim’ ou ‘não’. E por impossível que possa parecer é mais bairrista que a própria opinião separatista. Ora, minha resposta é a seguinte: não sou contra e nem a favor do separatismo, sou pelo Rio Grande. Para mim os gaúchos devem refletir sobre o que é melhor para o Rio Grande, independente de pró ou contra o separatismo. não se pode simplesmente dizer que é separatista sem argumentos para defender a opinião que demonstrem onde o Rio Grande está sendo prejudicado com a federação e porque seria melhor ser independente .
O mérito de certo ou errado dos argumentos não nos cabe aqui discutir, pois cada um é livre para crer no que quiser. Também não se pode dizer simplesmente que se é contra o separatismo, como muitos tradicionalistas tem dito por aí. Pois um gaúcho que é incondicionalmente anti-separatista mesmo que isso prejudique o Rio Grande não é gaúcho de verdade.
Quanto a minha opinião sobre o assunto, penso que hoje é suficiente acreditar na idéia de um pacto federativo mais justo, que respeite as diferenças regionais, que não imponha culturas umas sobre as outras, mas promova um intercambio saudável; Um pacto que não trave o crescimento de quem quer crescer. Pois acredito que trocar o mercado da federação brasileira de quase 200 milhões de consumidores, pelo mercado gaúcho de pouco mais de 10 milhões de pessoas não seria conveniente. O Rio Grande deve estabelecer diretrizes e objetivos de luta por um pacto federativo mais justo que defenda sua cultura ao mesmo tempo que mantenha essa relação comercial.
Concluímos reafirmando que os gaúchos deveriam ser pelo Rio Grande, colocar a pátria gaúcha acima da questão separatista, independente de opinião favorável ou contrária e reivindicar aquilo que é melhor para seu povo, sem, contudo, prejudicar os outros.
Neste diário utilizamos textos dos movimentos separatistas, por possuírem argumentos sociológicos, antropológicos e políticos independente da contundência de seus argumentos. Não estamos interessados em fazer juízos de valor sobre nenhum assunto. Disponibilizaremos postagens sobre a questão gauchista com foco para política, antropologia e sociologia independente se seu conteúdo, alguns textos serão melhores, outros mais fracos, mas todos com seu valor. E só não serão dispostos os textos que se manifestem contra os fundamentos do movimento tradicionalista, pois isso seria contraditório a tudo aquilo que acreditamos. De resto tudo pode ser debatido, desde a indumentária, até o separatismo, desde as origens do gaúcho até suas modificações.
Autor: Celso Garcia, graduando de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
O mérito de certo ou errado dos argumentos não nos cabe aqui discutir, pois cada um é livre para crer no que quiser. Também não se pode dizer simplesmente que se é contra o separatismo, como muitos tradicionalistas tem dito por aí. Pois um gaúcho que é incondicionalmente anti-separatista mesmo que isso prejudique o Rio Grande não é gaúcho de verdade.
Quanto a minha opinião sobre o assunto, penso que hoje é suficiente acreditar na idéia de um pacto federativo mais justo, que respeite as diferenças regionais, que não imponha culturas umas sobre as outras, mas promova um intercambio saudável; Um pacto que não trave o crescimento de quem quer crescer. Pois acredito que trocar o mercado da federação brasileira de quase 200 milhões de consumidores, pelo mercado gaúcho de pouco mais de 10 milhões de pessoas não seria conveniente. O Rio Grande deve estabelecer diretrizes e objetivos de luta por um pacto federativo mais justo que defenda sua cultura ao mesmo tempo que mantenha essa relação comercial.
Concluímos reafirmando que os gaúchos deveriam ser pelo Rio Grande, colocar a pátria gaúcha acima da questão separatista, independente de opinião favorável ou contrária e reivindicar aquilo que é melhor para seu povo, sem, contudo, prejudicar os outros.
Neste diário utilizamos textos dos movimentos separatistas, por possuírem argumentos sociológicos, antropológicos e políticos independente da contundência de seus argumentos. Não estamos interessados em fazer juízos de valor sobre nenhum assunto. Disponibilizaremos postagens sobre a questão gauchista com foco para política, antropologia e sociologia independente se seu conteúdo, alguns textos serão melhores, outros mais fracos, mas todos com seu valor. E só não serão dispostos os textos que se manifestem contra os fundamentos do movimento tradicionalista, pois isso seria contraditório a tudo aquilo que acreditamos. De resto tudo pode ser debatido, desde a indumentária, até o separatismo, desde as origens do gaúcho até suas modificações.
Autor: Celso Garcia, graduando de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
Gauchismo e Socialismo
Pela falta de uma grande corrente de pensamento em vigor na humanidade, tornou-se corriqueiro o debate sobre o ‘fim das ideologias’. Em alguns artigos existem intelectuais que confundem o fim das ideologias com a impossibilidade de nascer outras.
Um fenômeno de fácil observação é que atualmente as ideologias estão realmente muito fracas, os partidos políticos não possuem o vigor discursivo de antes, os movimentos sociais se restringiram a poucos eventos, e o consumismo chegou a um grau considerável de satisfação e de preenchimento de expectativas. Em fim, não se pode dizer que hoje em dia possuímos o mesmo vigor ideológico de outros tempos.
O Socialismo ainda ocupa lugar importante para as pessoas que buscam uma alternativa ao ‘americanismo’. Embora efetivamente essa ideologia tenha sido vencida pelo capital, ainda existe de forma precária em alguns círculos sociais. Alguns de seus adeptos, comumente e ironicamente, utilizam tênis ‘ALL STAR’ e escutam Rock and Roll, ou seja, são o sonho de todo sistema dominador vigente, e pesadelo de todo revolucionário que se presta, pois cultivam e se utilizam das instancias do opositor, corroborando com esse.
Contudo esses restígios precários de socialismo que ainda existe, só pode ser pela falta de outra ideologia mais atualizada. Uma vez que não existe outra alternativa ao ‘americanismo’ as pessoas, que não querem compartilhar do sistema vigente, procuram preencher suas expectativas com outras opções, no caso o marxismo.
A par dessas considerações, acredito que o gauchismo, evoluindo em suas elaborações teóricas, poderá servir de cabedal ideológico atualizado para muitas pessoas no Rio Grande e fora dele. Será necessário mais um tempo de construção, um amadurecimento e preenchimento de mais algumas categorias para se consagrar como alternativa viável ao “americanismo’.
Autor: Celso Garcia, graduando de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). 15-10-07
Um fenômeno de fácil observação é que atualmente as ideologias estão realmente muito fracas, os partidos políticos não possuem o vigor discursivo de antes, os movimentos sociais se restringiram a poucos eventos, e o consumismo chegou a um grau considerável de satisfação e de preenchimento de expectativas. Em fim, não se pode dizer que hoje em dia possuímos o mesmo vigor ideológico de outros tempos.
O Socialismo ainda ocupa lugar importante para as pessoas que buscam uma alternativa ao ‘americanismo’. Embora efetivamente essa ideologia tenha sido vencida pelo capital, ainda existe de forma precária em alguns círculos sociais. Alguns de seus adeptos, comumente e ironicamente, utilizam tênis ‘ALL STAR’ e escutam Rock and Roll, ou seja, são o sonho de todo sistema dominador vigente, e pesadelo de todo revolucionário que se presta, pois cultivam e se utilizam das instancias do opositor, corroborando com esse.
Contudo esses restígios precários de socialismo que ainda existe, só pode ser pela falta de outra ideologia mais atualizada. Uma vez que não existe outra alternativa ao ‘americanismo’ as pessoas, que não querem compartilhar do sistema vigente, procuram preencher suas expectativas com outras opções, no caso o marxismo.
A par dessas considerações, acredito que o gauchismo, evoluindo em suas elaborações teóricas, poderá servir de cabedal ideológico atualizado para muitas pessoas no Rio Grande e fora dele. Será necessário mais um tempo de construção, um amadurecimento e preenchimento de mais algumas categorias para se consagrar como alternativa viável ao “americanismo’.
Autor: Celso Garcia, graduando de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). 15-10-07
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