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O Desespero do "Tio San"

Quando se fala que o "Tio San" está desesperado, alguns chamam de sensacionalismo, mas estanhamente existe uma resistencia enorme dos Estados Unidos em aderirem a projetos sobre o meio ambiente. são frases do tipo "A questão fundamental é se vamos ou não ter a capacidade de crescer nossa economia e sermos bons com o meio ambiente ao mesmo tempo", pronuciada por Bush em um discurso no Arkansas. veja o artigo abaixo.



Bush classifica Protocolo de Kyoto de "má política"



ROGERS, Estados Unidos (Reuters) - O presidente norte-americano, George W. Bush, disse na segunda-feira que a abordagem de seu governo para enfatizar metas voluntárias para combater as mudanças climáticas está funcionando. Ele também criticou o modelo do Protocolo de Kyoto de estabelecer metas obrigatórias como "má política".
Os comentários de Bush foram o sinal mais recente de sua oposição para reduções obrigatórias das emissões de gases do efeito estufa continua firme, mesmo com seus esforços para mostrar maior engajamento no debate global sobre mudança climática."A questão fundamental é se vamos ou não ter a capacidade de crescer nossa economia e sermos bons com o meio ambiente ao mesmo tempo", disse ele durante sessão de perguntas e respostas após discursar sobre o orçamento no Arkansas."Estou interessado em boa política. Kyoto, eu pensei, era má política", disse.A crítica contra o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, veio dias depois do ex-vice-presidente norte-americano Al Gore e um painel da Organização das Nações Unidas sobre a mudança climática ganharem o Prêmio Nobel da Paz pelo seu trabalho de conscientização sobre a mudança climática.A premiação para Gore, que ajudou a negociar Kyoto, gerou especulações sobre a possibilidade de novas pressões para que Bush mude sua posição sobre o aquecimento global e aceite as metas obrigatórias que muitos países europeus vêem como necessárias para combater o problema.
Autor: Caren Bohan

Origem: Yahoo notícias

Gauchismo e Socialismo

Pela falta de uma grande corrente de pensamento em vigor na humanidade, tornou-se corriqueiro o debate sobre o ‘fim das ideologias’. Em alguns artigos existem intelectuais que confundem o fim das ideologias com a impossibilidade de nascer outras.

Um fenômeno de fácil observação é que atualmente as ideologias estão realmente muito fracas, os partidos políticos não possuem o vigor discursivo de antes, os movimentos sociais se restringiram a poucos eventos, e o consumismo chegou a um grau considerável de satisfação e de preenchimento de expectativas. Em fim, não se pode dizer que hoje em dia possuímos o mesmo vigor ideológico de outros tempos.

O Socialismo ainda ocupa lugar importante para as pessoas que buscam uma alternativa ao ‘americanismo’. Embora efetivamente essa ideologia tenha sido vencida pelo capital, ainda existe de forma precária em alguns círculos sociais. Alguns de seus adeptos, comumente e ironicamente, utilizam tênis ‘ALL STAR’ e escutam Rock and Roll, ou seja, são o sonho de todo sistema dominador vigente, e pesadelo de todo revolucionário que se presta, pois cultivam e se utilizam das instancias do opositor, corroborando com esse.

Contudo esses restígios precários de socialismo que ainda existe, só pode ser pela falta de outra ideologia mais atualizada. Uma vez que não existe outra alternativa ao ‘americanismo’ as pessoas, que não querem compartilhar do sistema vigente, procuram preencher suas expectativas com outras opções, no caso o marxismo.

A par dessas considerações, acredito que o gauchismo, evoluindo em suas elaborações teóricas, poderá servir de cabedal ideológico atualizado para muitas pessoas no Rio Grande e fora dele. Será necessário mais um tempo de construção, um amadurecimento e preenchimento de mais algumas categorias para se consagrar como alternativa viável ao “americanismo’.

Autor: Celso Garcia, graduando de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). 15-10-07

O Começo do Fim da Hegêmonia


Quando os oito bravos cavaleiros Julianos, liderados por Paixão Cortes, Acenderam a chama crioula e iniciaram a 'resistencia cultural', o braço norte-americano estava em pleno vigor e tinha acabado com toda espécie de expressão regional no mundo todo. O movimento floresceu e se ploriferou, mesmo em terra infértil. Hoje os tempos são outros, mas o "Tio San" ainda é forte e exerce muita influência sobre o mundo todo, contudo veja esse artigo de José Luís Fiori da Universidade Federal do Rio de Janeiro que fala sobre os "eixos conflitivos crônicos", ou seja, as nações sempre estão em competição umas com as outras, e embora, sempre exista uma potencia hegemonica, ela não permanece sempre a mesma por toda a história.


O “poder global”
“A esperança e a previsão, embora inseparáveis, não são a mesma coisa, e toda previsão sobre o mundo real tem que repousar em algum tipo de inferência sobre o futuro, a partir daquilo que aconteceu no passado, ou seja, a partir da história.”
Eric Hobsbawm, Sobre a História, Companhia das Letras, p. 67Na década de 70, do século 20, discutiu-se muito sobre a “crise da hegemonia americana”. Foi no tempo da derrota dos EUA, no Vietnã, da crise do “padrão dólar”, da subida do preço do petróleo e do fim do crescimento econômico acelerado do pós-guerra. E foi também, no tempo da Revolução Sandinista, da Nicarágua, da revolução islâmica, do Irã, e da invasão soviética, do Afeganistão, consideradas, na época, grandes derrotas da política externa norte-americana. Hoje, quase quarenta anos depois, volta-se a falar com insistência, do declínio do poder mundial dos Estados Unidos.

O historiador inglês, Eric Hobsbawm, afirmou numa entrevista recente, que o “projeto americano está falindo”, e que a “superioridade dos Estados Unidos é um fenômeno temporário”. Quase na mesma linha do economista italiano, Giovanni Arrighi, que defende a tese que a “hegemonia americana” está vivendo uma “crise terminal”, depois do “fracasso do projeto neo-conservador no Iraque”, e depois que “os Estados Unidos deixaram de ser um estado hegemônico que criava ordem, para se tornarem uma força do caos e da desordem”. No caso do sociólogo norte-americano, Immanuel Wallerstein, a previsão é ainda mais radical: o que está em crise e deve acabar até a metade do Século 21, não é apenas a hegemonia americana, é o próprio “sistema mundial moderno” que se formou a partir da Europa, depois do século 15.Mas nenhum destes autores consegue definir com precisão o que seja uma “crise terminal”, do poder e da superioridade americana, ou do próprio “sistema mundial moderno”, de que fala Wallerstein.

Por que se trataria de uma “crise terminal”, e não apenas de uma crise cíclica ou passageira? E além disto, mesmo que fosse “terminal”, qual seria a sua duração e o seu desfecho? E o que é mais importante, o que passaria no mundo, durante este período de transição e de espera do “juizo final”?

Na verdade, o ponto fraco de todas estas previsões não está na sua análise da conjuntura internacional, está na teoria em que se apoiam suas projeções de longo prazo: a hipótese de que o “sistema mundial moderno” requer a existencia de “potencias hegemônicas” sucessivas, para manter a sua ordem política e o bom funcionamento da sua economia internacional. Dentro desta teoria das “sucessões hegemônicas”, o “líder” ou “hegemon” aparece na história como uma espécie de “resposta funcional” ao problema da “ingovernabilidade” de um sistema que é anárquico, porque é formado por Estados nacionais soberanos.

Por isto, em geral, esta teoria destaca as contribuições positivas do hegemon, para o bom funcionamento e para “governança global” do sistema, sem dar maior atenção à dinâmica contraditória das relações existentes entre o hegemon e os demais Estados que participam do sistema mundial. Por isto também, esta teoria funcional e evolucionista da “hegemonia”, não consegue dar conta do movimento contínuo de competição, luta e expansão dos Estados e economias nacionais que já conquistaram a condição de “grandes potências”, e fazem parte do “núcleo central” de todo o sistema, mas seguem competindo entre si, mesmo nos períodos que aparentam uma alta “tranqüilidade hegemônica”. Daí sua dificuldade para compreender situações de conflito e de ruptura, e a pressa com que estas análises e previsões, anunciam “crises terminais”, a cada nova turbulência econômica, guerra, ou derrota do hegemon, sem considerar a possibilidade que estas crises e guerras possam fazer parte do processo de reprodução e expansão do poder e riqueza do próprio hegemon, que não foi eleito para ser representante, nem para cuidar dos interesses gerais da humanidade.

A crítica desta teoria da “hegemonia mundial”, e destas previsões baseadas na hipótese dos “ciclos hegemônicos”, está na origem do conceito e da pesquisa sobre o “poder global”: um modo de olhar e analisar o sistema político mundial e suas relações com a internacionalização capitalista, que privilegia o conflito e as contradições do sistema mais do que suas relações funcionais. Da perspectiva do “poder global”, o sistema mundial é uma “máquina de acumulação de poder e riqueza”, e seu motor é a competição e a guerra, entre seus Estados e economias nacionais Dentro deste “sistema mundial”, não existem países satisfeitos, todos estão sempre se propondo aumentar seu poder e sua riqueza, e neste sentido, todos são expansivos, em particular, as “grandes potências” que já ocupam o topo da hierarquia do poder e da riqueza mundiais.

Por isto, este sistema pode ser comparado com um “universo” em expansão contínua, onde todas as potências que lutam pelo poder global, estão sempre criando, ao mesmo tempo, ordem e desordem, expansão e crise, paz e guerra.

E como conseqüência, se pode afirmar com toda certeza que dentro deste universo, ou seja, dentro do “sistema mundial moderno”, nunca houve nem haverá “paz perpétua”, nem hegemonia estável . Pelo contrário, do nosso ponto de vista, o que ordena e “estabiliza” as relações hierárquicas internas do sistema mundial, paradoxalmente, é a existência de “eixos conflitivos crônicos”, junto com a permanente possibilidade de uma nova guerra, entre as grandes potências. Por isto, do ponto de vista do “poder global”, desordem, crise e guerra não são, por si mesmos, um anúncio do “fim”, são uma parte necessária do movimento de expansão do sistema mundial.E deste mesmo ponto de vista, falar de uma “crise terminal”, com data marcada, de um poder hegemônico, ou do próprio “sistema mundial moderno” é um absurdo teórico e histórico. Até porque, no tempo de espera da “hora final”, o mais provável é que o sistema siga enfrentando e superando crises econômicas, como em toda a história da internacionalização capitalista, e situações de guerra, como em toda a história geopolítica das nações, inaugurada pela Paz de Westfália, em 1648.

Portanto, com relação a este tempo de espera, todas estas previsões “terminais”, são absolutamente inúteis.

Autor: José Luís Fiori, professor de Economia Política Internacional no Instituto de Economia da UFRJ.

Origem:
http://www.diariogauche.blogspot.com/